Mãe de réu culpa Porsche por falha antes de batida com morte de motorista
A mãe de Fernando Sastre afirmou, Daniela Andrade, disse durante o primeiro dia do julgamento do empresário, que o Porsche 911 envolvido na colisão que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana teria apresentado uma falha mecânica pouco antes da batida. A declaração foi feita na noite desta quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
Daniela Cristina de Medeiros Andrade disse que a conclusão consta em uma perícia contratada pela família e por um perito indicado pela defesa — que deve ser ouvido no segundo dia de júri. "O que eu posso dizer é que, pelo perito que nós contratamos, pela perícia que foi feita, houve falha mecânica no carro. O carro não respondeu como deveria responder", afirmou.
Ela reconheceu não ter conhecimento técnico sobre veículos ou acidentes, mas sustentou que o suposto problema será demonstrado. O UOL entrou em contato com a Porsche e aguarda manifestação.
Segundo Daniela, o Porsche teria uma aceleração muito sensível: bastaria encostar o pé no acelerador para o carro ganhar velocidade. Ela afirmou que, após passar por um radar, Sastre acelerou para realizar uma ultrapassagem em um trecho em que a avenida Salim Farah Maluf se estreita — e, ao se deparar com o carro de Ornaldo, tentou frear e desviar, mas não conseguiu.
A mãe falou que o carro tem um mecanismo de frenagem instantânea a partir de uma câmera na frente do veículo. A defesa apresentou um animação encomendada pela família mostrando como o carro teria colidido. Os advogados, por inúmeras vezes, também perguntaram para as testemunhas sobre a iluminação no local do fato.
A alegação contraria a tese do Ministério Público de São Paulo, que sustenta que Sastre dirigia embriagado e em alta velocidade. A perícia oficial apontou que o Porsche estava a 156 km/h momentos antes do impacto, em uma via com limite de 50 km/h.
O primeiro dia do julgamento de Fernando Sastre, réu pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, foi marcado por depoimentos emocionados, relatos de embriaguez e alta velocidade, além da desistência da defesa em ouvir a namorada do empresário. A sessão ocorreu hoje, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, e deve se encerrar na noite de amanhã.
Sastre responde por homicídio doloso qualificado e lesão corporal. Ele está preso desde 1º de abril de 2024 e foi trazido de Potim, no interior de São Paulo, para acompanhar o júri na capital.
A defesa abriu mão do depoimento de Giovanna Pinheiro, namorada de Sastre e considerada uma das principais testemunhas do processo. Ela estava com o empresário e amigos em um estabelecimento antes de ele assumir a direção do Porsche 911.
A Justiça havia expedido um mandado de condução coercitiva para garantir sua presença. Durante o julgamento, Giovanna chegou a ser expulsa do plenário após se manifestar com gestos durante o depoimento de uma testemunha ocular.
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