PF aponta governador do MA como líder de grupo investigado por encobrir homicídio
Investigação conduzida por Flávio Dino aponta que integrantes ligados à família do governador teriam atuado para alterar depoimentos sobre assassinato
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A Polícia Federal identificou o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB, foto ao lado do presidente Lula), como “provável líder” de uma organização criminosa que, segundo a investigação, teria atuado antes e depois do assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, em 2022.
A hipótese aparece na decisão do ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal , que autorizou novas medidas cautelares no caso. Dino derrubou o sigilo de parte do caso nesta sexta-feira, 14.
Segundo a PF, o homicídio teria ocorrido no contexto de um esquema envolvendo o pagamento de valores indevidos com recursos públicos. A investigação sustenta que Gilbson César Soares Cutrim Júnior, posteriormente condenado pelo assassinato, exerceria uma função operacional no esquema e manteria interlocução direta com Daniel Itapary Brandão e com o próprio governador Carlos Brandão. A PF o descreve como provável líder da organização investigada.
A apuração da Polícia Federal também aponta que o assassinato não teria encerrado a atuação do grupo. Ao contrário, segundo os investigadores, uma estrutura de operadores e intermediários teria passado a trabalhar para preservar os integrantes mais importantes e dificultar sua vinculação aos crimes investigados.
Um dos principais pontos destacados por Dino é justamente a suspeita de que a investigação original do homicídio tenha sido conduzida de maneira a deixar de fora personagens relevantes e ocultar o contexto político e financeiro que teria antecedido a morte de João Bosco.
A PF afirma que Daniel Brandão estava presente na reunião que antecedeu os disparos. Segundo o relato de Gilbson Júnior, Daniel teria convocado a reunião, realizada em 19 de agosto de 2022, na qual também estavam João Bosco e Werberth Macedo Castro. A discussão, conforme a PF, teria envolvido a divisão de valores decorrentes de pagamentos supostamente ilícitos. Daniel permaneceu no local durante parte da discussão e deixou o ambiente pouco antes dos disparos.
Para a PF, essa informação não foi adequadamente explorada pela Polícia Civil maranhense.
A suspeita de uma operação para encobrir o contexto do assassinato ganhou força, segundo a PF, com depoimentos e uma gravação ambiental envolvendo Raimundo Soares Cutrim, apontado como interlocutor da família Brandão. Cutrim é ex-secretário de Brandão e está preso em prisão domiciliar.
Gilbson César, pai do condenado pelo homicídio, afirmou à PF que Raimundo Cutrim o procurou depois de seu depoimento e que os encontros ocorreram a pedido de integrantes da família Brandão, entre eles Marcus e Carlos, com o objetivo de orientar ele e sua esposa a modificar as versões apresentadas à polícia.
O relato é acompanhado de outros elementos. Em uma conversa gravada, Raimundo Cutrim, conforme a PF, discute como deveria ser construída uma nova versão para o caso e orienta a família a atribuir a mudança de comportamento a uma suposta situação de necessidade financeira.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.