Envio de jumentos para abate quase triplicou no PI: procura pela pele e desvalorização do animal podem ter impulsionado alta
Envio de jumentos para abate quase triplica no PI com alta da demanda Pesquisadores ouvidos pelo g1 avaliam que o crescimento do envio de jumentos do Piauí para abate em frigoríficos da Bahia pode estar relacionado à desvalorização do animal no meio rural e ao aumento da demanda internacional pela pele.
Segundo a Adapi, cerca de 3,5 mil animais foram enviados para o estado vizinho entre janeiro e agosto de 2026.
O número é quase três vezes maior que o registrado em todo o ano de 2025.
No mercado asiático, cada pele pode ser vendida por até R$ 4 mil. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp De acordo com a Adapi, o município de Marcos Parente, no Sul do Piauí, concentra a maior quantidade de asininos destinados ao abate no estado, segundo a Adapi.
Eles são comprados por proprietários e reunidos em uma propriedade rural até o momento do embarque.
Demanda chinesa impulsiona mercado População do jumentos no Brasil era de 376 mil cabeças em 2017, segundo o IBGE Camila Lima/SVM Além da oferta de animais a baixo custo, o crescimento da demanda internacional também contribui para o aumento dos abates.
Segundo Raniel Lustosa, a China reduziu significativamente a população de jumentos nas últimas décadas e passou a buscar a matéria-prima em outros países.
A principal finalidade do abate é a retirada da pele, utilizada na produção do ejiao, produto tradicional da medicina chinesa e que é produzido a partir do colágeno presente na pele do jumento.
Nos frigoríficos brasileiros, a pele passa por tratamento e conservação antes de ser exportada para a China.
"Esse é um produto utilizado na medicina chinesa, nem tanto comprovada [cientificamente], mas é utilizado há milhares de anos e que, vamos dizer assim, faz parte da questão cultural deles.
Então, é um produto que tem uma importância, tem um nicho de mercado para os consumidores da China", explicou.
A pesquisadora Patrícia Tatemoto ressaltou que a pele é o principal produto de interesse econômico desses abates, mas que a carne também é exportada como subproduto.
"No passado, acreditava-se que era um jumento que tinha pelagem escura, que era o ideal para essa finalidade, de aumentar o capital estético da pessoa, de beleza, mas depois, com a redução das populações de jumentos, eles passaram a consumir todos os jumentos", explicou Patrícia.
Jumentos passaram a ser vendidos por preços baixos Segundo o professor universitário e doutor em ciência animal Raniel Lustosa, o jumento, historicamente utilizado no transporte e em atividades agrícolas, perdeu espaço com a mecanização do campo.
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