Homenagens e emendas: entenda o histórico de Flávio Bolsonaro com milicianos
A trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência da República, inclui homenagens concedidas a policiais que posteriormente foram condenados por crimes, contratações de familiares de um miliciano para seu gabinete e a destinação de recursos públicos a um projeto cuja verba foi solicitada por um ex-assessor investigado.
O histórico também reúne manifestações contrárias à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).Um levantamento da revista Piauí identificou que, entre 2003 e 2018, o então deputado estadual aprovou moções de louvor e concedeu honrarias a pelo menos 23 policiais militares e civis que, posteriormente, se tornaram réus ou foram condenados pela Justiça por diferentes crimes.Medalhas e homenagens a policiais condenadosEntre os casos está o de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Em 2003, Flávio Bolsonaro concedeu uma moção de louvor ao policial.
Dois anos depois, em setembro de 2005, entregou pessoalmente a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj, ao então oficial, que estava preso preventivamente no Batalhão Especial Prisional (BEP), acusado de assassinar o guardador de carros Leandro dos Santos Silva.Após ser expulso da Polícia Militar, Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como chefe do Escritório do Crime, grupo de exterminadores, e líder da milícia de Rio das Pedras.A relação também envolveu o gabinete parlamentar.
Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, e Danielle Mendonça da Costa, ex-esposa dele, ocuparam cargos comissionados na estrutura de Flávio na Alerj.
Os repasses financeiros relacionados às nomeações foram investigados no esquema conhecido como “rachadinha”.Em depoimento ao Ministério Público, em 2020, Flávio admitiu ter feito aulas particulares de tiro com o ex-capitão, morto durante uma operação policial na Bahia naquele ano.Outro policial homenageado por Flávio foi Ronald Paulo Alves Pereira.
Em março de 2004, o então capitão recebeu uma moção de congratulações aprovada na Alerj, três meses depois de passar a ser investigado por participação na Chacina da Via Show.
O caso ocorreu em dezembro de 2003, quando cinco jovens foram executados na Baixada Fluminense.
Posteriormente, investigações apontaram Pereira como uma das lideranças do Escritório do Crime, ao lado de Adriano da Nóbrega.
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