Petrobras nega impacto socioambiental na Foz do Amazonas
A Petrobras afirmou ao jornal Broadcast , do O Estado de S.
Paulo , nesta 2ª feira (21.set.2026), que os estudos realizados na Margem Equatorial não identificaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades ou terras indígenas em razão das atividades no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas.
Em paralelo, o MPF (Ministério Público Federal) pediu ao TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) a suspensão imediata da licença de perfuração concedida à estatal para o mesmo bloco.
O pedido de suspensão integra um recurso apresentado pelo MPF na 5ª feira (17.set) ao TRF1.
O órgão afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento.
Segundo o MPF, embarcações partem do porto de Belém e cruzam rotas de alta sensibilidade ambiental, onde famílias indígenas, quilombolas e pescadores artesanais relatam redes destruídas, peixes afugentados e risco de acidentes.
O MPF exige que as atividades sejam suspensas até o cumprimento de 4 condições: realização de consulta prévia a todas as comunidades tradicionais da costa do Pará; execução de estudos pesqueiros; apresentação de plano de compensação; redelimitação da área de influência do empreendimento; O órgão pede ainda que o caso permaneça na Justiça Federal do Pará.
Para o MPF, a competência deve ser definida pelo local onde os danos ocorrem, já que a logística de navios, resíduos e suporte opera a partir do estado.
A Justiça Federal no Pará havia remetido o processo ao Amapá para evitar decisões conflitantes.
A Petrobras, por sua vez, informou em nota que as atividades na área estão em fase de pesquisa exploratória.
A estatal alegou que, embora a consulta estimava não seja aplicável ao licenciamento em questão, conduziu um processo amplo de comunicação com a sociedade e as comunidades locais antes do início da perfuração.
Segundo a companhia, foram realizadas mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios do Amapá e do Pará.
Sobre o uso de aeronaves, a Petrobras sustenta que o aeroporto de Oiapoque opera há décadas e que a estatal o utiliza dentro de sua capacidade licenciada.
A companhia acrescenta que, a partir de 2023, realizou reuniões com o CCPIO (Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque) para revisão de rotas e ampliação da altitude de voo.
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