Produção de petróleo e cuidado ambiental podem coexistir, diz especialista
A descoberta de indícios de petróleo no Amapá , divulgada pela Petrobras nesta sexta-feira (14), reacendeu o debate sobre os impactos ambientais e econômicos da exploração de combustíveis fósseis no Brasil .
Em entrevista ao AGORA CNN deste sábado (15), Eberaldo de Almeida Neto , ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) , avaliou qual deve ser o caminho até a eventual comercialização do produto e em que medida a descoberta muda a segurança energética do Brasil .
“Há algo muito significativo nesse processo: a demora de 13 anos”, relembrou Almeida Neto, se referindo ao fato de que o bloco onde o poço pioneiro foi perfurado foi licitado em 2013.
“O governo federal leiloou um bloco há mais de uma década e agora uma empresa, cujo acionista controlador é o governo federal, conseguiu finalmente iniciar esse processo”, recordou.
Leia Mais "Estávamos certos", diz Alcolumbre sobre descoberta de petróleo no Amapá Chambriard: descoberta na Foz do Amazonas é passo para repor reservas Lula: Falta pouco para sabermos se há petróleo na Margem Equatorial Processo ainda em fase inicial O especialista explicou que a perfuração de um poço pioneiro representa apenas o começo de um longo processo técnico.
“Ainda é necessário coletar material de calha, analisar a porosidade e a permeabilidade da rocha, examinar o fluido e verificar o volume disponível”, explicou.
“O que está lá embaixo é uma rocha ultrafechada, como se fosse um granito de pia de casa, mas com porosidade até menor, e o petróleo, o gás e o óleo estão ali dentro em altíssima pressão”, detalhou.
Ainda segundo o especialista, o poço foi perfurado em uma lâmina d’água de mais de 2.800 metros de profundidade.
Almeida Neto destacou que a Petrobras ainda precisará realizar testes de produção, verificar a recuperação de pressão para estimar o volume e possivelmente perfurar poços adjacentes para dimensionar o reservatório.
“Estamos no início do processo, mas antes tarde do que nunca”, reforçou, acrescentando que este é o poço pioneiro de número 1.405 da estatal, o que demonstra a larga experiência da empresa em perfurações.
Impacto ambiental e uso dos recursos Ao ser questionado sobre os possíveis impactos ambientais — tema que gerou embates judiciais e divergências dentro do próprio governo, com o Ministério Público Federal e o Ibama levantando questionamentos —, Almeida Neto citou a Noruega como exemplo de país que produz petróleo há décadas em uma região ambientalmente sensível e ainda assim preserva o meio ambiente.
“É possível utilizar os recursos gerados pela produção de petróleo para financiar a proteção ambiental e gerar alternativas econômicas para as populações locais.
O grande adversário do meio ambiente é a pobreza”, afirmou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.