Ligação de 1 minuto colocou advogado sob suspeita de vazar operação a delegado
Uma ligação telefônica de pouco mais de um minuto entre o advogado Amilton Ferreira de Almeida e o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa foi um dos elementos que levaram o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) a pedir a prisão temporária do defensor, suspeito de vazar informações sobre a Operação Infiltrados.
Ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que mandou soltar Amilton, os advogados afirmam que a conversa foi profissional, e alegam que o representado já atuava em favor do delegado antes dos fatos investigados.
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) considerou a prisão ilegal e determinou a soltura de Amilton na segunda-feira (19).
A decisão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca, publicada nesta quarta-feira (21), detalha os argumentos apresentados pela defesa e os motivos que levaram à prisão.
Segundo o documento, os investigadores suspeitaram de um vazamento porque Hoffman não foi encontrado em casa durante a operação, deflagrada em 24 de setembro deste ano.
O delegado apresentou-se no fim daquele dia, sem o celular.
A partir da suspeita de que Amilton teria alertado Hoffman sobre a chegada dos policiais, o Gaeco pediu a prisão temporária do advogado.
A Justiça autorizou a medida em 28 de setembro, pelo prazo de 30 dias, que foi cumprida no dia seguinte.
No pedido de habeas corpus ao STJ, depois de derrotada no Judiciário estadual, a defesa de Amilton Ferreira de Almeida argumentou que a suspeita estava baseada em registros de metadados, sem acesso ao conteúdo da ligação de pouco mais de um minuto.
Segundo a advogada Damares Costa Machado, o profissional do Direito já representava Hoffman antes da operação, com procuração assinada anteriormente aos acontecimentos.
“O Dr.
Amilton conversou com o delegado, pois já era advogado constituído do delegado com procuração anterior aos fatos.
O tipo de conversa foi profissional e não houve obstrução de justiça em momento algum”, afirmou Damares ao Campo Grande News.
No dia da prisão, Damares alegou que cliente e advogado tinham o hábito de sair para tomar café e caminhar logo cedo, e foi o que, segundo ela, fizeram no dia da operação .
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