Três competições e até 76 jogos: o desafio de recuperar jogadores no futebol brasileiro
Três equipes brasileiras continuam na disputa de três competições na temporada de 2026. Palmeiras, Atlético-MG e Vasco se dividem entre diferentes frentes e podem se aproximar de 75 jogos no ano. Após a Super Data Fifa, em uma rotina de partidas a cada três ou quatro dias, a capacidade de recuperar os jogadores se torna tão importante quanto o treinamento técnico e tático.
O Palmeiras é quem já soma mais partidas no ano entre os três times, com 56 jogos. Se avançar até as finais de Copa do Brasil e Libertadores, o número pode chegar a 73. Sendo campeão da América, com a disputa da Copa Intercontinental, é possível bater 76 até a final.
Vasco e Atlético-MG têm 54 cada. Ambos têm um jogo atrasado pelo Brasileirão e se encontram nas mesmas condições na Copa do Brasil e Sul-Americana, podendo fazer as finais das duas competições. Se isso acontecer nas duas frentes, vascaínos e atleticanos chegam a 72 partidas cada.
O cenário não é de hoje. Se o Palmeiras chegar ao máximo de jogos, iguala a marca de 2025, quando disputou o Mundial. O Vasco, vice-campeão da Copa do Brasil, fez 71 no ano passado. O Atlético-MG, vice da Sul-Americana, 75.
"Toda partida vai gerar algum nível de desgaste. E aí entram diferentes características da partida que vão influenciar isso: se é uma partida de copa, se é uma partida de Campeonato Brasileiro, se é contra um time que está lá em cima, se é um clássico...", pondera Matheus Cioccari, gestor de performance que atua de forma particular com jogadores do Brasileirão.
"A fadiga do jogo é um somatório de coisas que acontecem durante a semana. A gente já pode cogitar que o jogador vem de um desgaste de partidas anteriores e vai jogar essa partida que tem algum nível de influência específica aí. Ainda mais para quem está disputando, como esses clubes, três campeonatos, muitas vezes todo jogo é uma final", complementa.
Ainda em junho, o Palmeiras inaugurou o Centro de Recovery e Neurociência para aprimorar a recuperação de seus atletas. A ideia é auxiliar os trabalhos físicos em complemento ao Núcleo de Saúde e Performance. Há serviços como massoterapia, exercícios de eletroestimulação transcraniana, pilates e botas compressivas.
"Além do recovery, usamos esta nova área, principalmente, para as ativações mental, neural e neuromuscular. Por isso, o espaço é também de neurociência e conta com técnicas e equipamentos, como óculos inteligentes, que nos ajudam a melhorar a tomada de decisões e o foco dos nossos atletas, entre outras coisas", diz o coordenador de saúde e performance do Palmeiras, Daniel Gonçalves.
O Atlético-MG também aponta para evoluções. No fim do ano passado, o clube divulgou um levantamento que mostrou queda de 42% na média de lesões por temporada entre 2018 e 2025.
"Quando cheguei ao Atlético, havia um fisioterapeuta. Passamos a ter cinco profissionais superespecializados, porque a fisioterapia evoluiu muito. Mas não só ela. Várias funções foram sendo inseridas, pela complexidade cada vez maior de um futebol profissional, esporte de alto rendimento.
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