China vende quase o dobro dos EUA ao Brasil e acirra disputa com empresas nacionais
A China ampliou sua vantagem sobre os Estados Unidos no comércio com o Brasil.
Nos primeiros oito meses de 2026, o país asiático respondeu por 29% das trocas comerciais brasileiras, ante 12% dos americanos, segundo dados apresentados pela empresa de comércio exterior Ningbo BR Goods.
A diferença também aparece nas importações: entre janeiro e agosto, o Brasil comprou US$ 52 bilhões (R$ 260 bilhões) em produtos chineses, quase o dobro dos US$ 27 bilhões (R$ 135 bilhões) adquiridos dos Estados Unidos.
Além da distância entre os dois fornecedores, os números acompanham uma transformação na indústria chinesa: fabricantes que antes produziam mercadorias para marcas estrangeiras agora disputam consumidores com seus antigos clientes.
O movimento reflete a expansão internacional de empresas que deixaram de competir apenas por custos de produção e passaram a investir em desenvolvimento de produtos e marcas próprias.
Para os empresários brasileiros, a mudança representa um desafio, especialmente nos setores em que a importação de mercadorias prontas é parte importante do modelo de negócios.
Continua após a publicidade Da fabricação à concorrência direta Segundo Felipe Teixeira, especialista em comércio exterior e CEO da Ningbo BR Goods, que conecta negócios brasileiros à indústria chinesa, a vantagem competitiva do país asiático resulta de décadas de investimentos na capacidade produtiva e na infraestrutura logística.
“Isso se deve ao que a China construiu nos últimos 30, 40 anos, ao se tornar um parque fabril estruturado.
No início, com mão de obra barata, e hoje com tecnologia e uma infraestrutura portuária e aeroportuária que nenhum outro país, inclusive os Estados Unidos, consegue ter na mesma escala”, afirma.
Continua após a publicidade Essa estrutura permite atender diferentes mercados em grande escala, com uma oferta que abrange desde bens de consumo até máquinas, equipamentos e componentes industriais.
A transformação também modifica a relação com os importadores brasileiros.
Durante anos, parte dessas empresas comprou produtos de fábricas chinesas para revendê-los no mercado nacional com marcas próprias.
Agora, alguns fornecedores passaram a comercializar diretamente suas mercadorias no exterior.
Continua após a publicidade “O que antes o empresário brasileiro conseguia comprar de um fabricante chinês para vender com a própria marca começou a virar concorrência.
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