Apoio contínuo à pesquisa básica sustenta inovação e respostas a crises, destacam especialistas
André Julião | Agência FAPESP – O investimento contínuo em pesquisa desde a criação da FAPESP, em 1962, permitiu a formação de pesquisadores de excelência. Quando a Fundação passou a apoiar grandes projetos orientados à resolução de problemas, principalmente a partir de 1997, o Estado de São Paulo já tinha cientistas capazes de realizar feitos como o sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa , a bactéria causadora da clorose variegada dos citros (CVC), doença também conhecida como amarelinho e que causava grandes prejuízos à citricultura paulista na época.
O exemplo foi apresentado por Raul Machado , gerente de Relações Institucionais da FAPESP, durante o seminário Advancing Curiosity-Driven Research in the Americas: Definitions, Policy Frameworks, and Societal Value, promovido pelo Global Research Council ( GRC ) – entidade internacional que reúne dirigentes de agências públicas de fomento à pesquisa de todo o mundo.
Um dos objetivos do encontro foi facilitar a troca de experiências entre as agências de fomento das Américas, a fim de criar oportunidades para colaboração e compartilhamento de conhecimento que possam aprimorar o financiamento à pesquisa no continente.
“No Estado de São Paulo, no início das atividades da FAPESP, a agência promoveu a capacitação de grupos, indivíduos, em áreas de pesquisa básica. Em 1969, houve a decisão de reservar 30% dos recursos para projetos especiais. Então, nos anos 1990, veio a modalidade Projeto Temático, direcionada a iniciativas colaborativas de longo prazo e pesquisa transversal. Em 1997, tivemos o primeiro grande programa, Projeto Genoma - FAPESP, voltado ao combate da Xylella fastidiosa , uma bactéria que causa a clorose variegada dos citros. Essa iniciativa promoveu a qualificação de pesquisadores em genômica. Alguns dos programas de pesquisa atuais vieram depois disso”, contou Machado.
O dirigente lembrou ainda que, em 2000, a FAPESP criou o programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão ( CEPIDs ) e, em 2021, os Centros de Ciência para Desenvolvimento ( CCDs ).
Neste último, a Fundação solicitou às secretarias estaduais demandas da gestão pública que poderiam ser solucionadas pela comunidade científica do Estado de São Paulo. Hoje, a FAPESP apoia 115 CCDs em diversas áreas do conhecimento.
“Tudo isso só foi possível porque demos apoio à pesquisa básica, guiada pela curiosidade. Isso permitiu que hoje pudéssemos ter pesquisas orientadas a resolver problemas”, ressaltou.
Ana Vasquez, gerente de cooperação da Agencia Nacional de Investigación e Innovación (ANII), do Uruguai, e mediadora do encontro, lembrou que as agências reunidas no GRC são bem diferentes e, por isso, histórias como essa são importantes de serem compartilhadas.
“Temos diferentes tamanhos e missões, e é muito interessante compartilhar como todos abordamos essas questões e que estratégias funcionaram para cada um.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.