Do Atlântico ao Oscar: '100 Dias' leva Amyr Klink às telonas
Amyr Klink nunca atravessou o Atlântico pensando em virar personagem de cinema.
Também não pretendia entrar para o Guinness Book, tornar-se referência para gerações de navegadores ou assistir, quatro décadas depois, a um ator reproduzir seus gestos diante de uma câmera.O objetivo, aos 28 anos, era bem mais concreto: sair sozinho de Lüderitz, na Namíbia, e conseguir terminar uma travessia do Atlântico Sul exatamente como havia planejado, chegando por seus próprios meios, ancorando o próprio barco e colocando os pés em terra - e deu certo.Em 18 de setembro de 1984, há exatamente 42 anos, depois de aproximadamente 100 dias no mar, Amyr chegou à Praia da Espera, em Itacimirim, no litoral da Bahia.
A viagem deu origem ao best-seller Cem Dias Entre Céu e Mar e se tornou uma das histórias mais conhecidas da navegação brasileira.
Cem dias entre céu e mar - Foto: Companhia de Bolso Agora, 42 anos depois, aquela travessia chegou a um lugar que o próprio Amyr jamais havia planejado: a corrida pelo Oscar.100 Dias, dirigido por Carlos Saldanha e protagonizado por Filipe Bragança, está entre os 15 longas inscritos na disputa para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027.
Filipe Bragança como Amyr Klink - Foto: Reprodução I Instagram A lista foi anunciada pela Academia Brasileira de Cinema na segunda-feira, 24.
No dia 9 de setembro, a Comissão de Seleção deverá reduzir os 15 concorrentes a seis finalistas, e o representante brasileiro será anunciado em 16 de setembro.A estreia comercial de 100 Dias está marcada para 29 de outubro.
O roteiro é assinado por Elena Soárez e Thais Tavares, e o elenco inclui ainda Philippine Leroy-Beaulieu como Asa, mãe de Amyr; Felipe Camargo como Jamil Klink, pai do navegador; e João Vitor Silva como Tymur Klink.A possível caminhada até Hollywood, no entanto, é quase uma ironia na biografia de alguém que insiste até hoje que nunca desejou ser protagonista: "Não era meu objetivo.
Não era entrar no Guinness.
Eu sei que essa moçada adora bater recorde, ter não sei quantos mil seguidores.
Não".
Amyr Klink - Foto: Reprodução I Instagram Fracassos acima de heróisJustamente por ter essa mentalidade, quando decidiu estudar travessias oceânicas para fazer a sua própria, Amyr não começou pelos heróis, mas sim pelos que não chegaram.Ele havia sofrido um acidente na mão direita, que deixou sequelas de tato e de movimento.
O remo, percebeu, era uma das poucas atividades esportivas de alta performance em que aquela limitação não tornava o esforço impossível."Eu não tinha a menor intenção de ser protagonista.
Eu tinha tido um acidente na mão direita e não tenho tato nem movimento completo dessa mão.
Mas o remo é a única atividade esportiva de alta performance onde você não usa o polegar, por exemplo", conta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.