Canetas emagrecedoras e câncer de mama: entenda essa relação
O uso de canetas emagrecedoras como estratégia para perda de peso entre mulheres que tratam câncer de mama vem despontando como uma nova fronteira terapêutica na oncologia. "A relação entre câncer de mama e obesidade é desastrosa", afirma o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, obesidade e síndrome metabólica.
De acordo com o especialista, medicamentos conhecidos pelos nomes comerciais Ozempic, Mounjaro, Wegovy e Rybelsus podem proporcionar perdas superiores a 20% do peso corporal quando combinados com mudança de estilo de vida, e têm potencial para melhorar o prognóstico do câncer de mama.
Para Daniel Buttros, a associação entre obesidade e câncer de mama é "íntima e catastrófica". Segundo o especialista, mulheres obesas têm maior possibilidade de desenvolver câncer de mama tanto na pré quanto na pós-menopausa. A circunferência abdominal acima de 85 centímetros, de acordo com o especialista, já está relacionada ao aumento desse risco. "Hoje entendemos que muitas mulheres talvez estejam mais ameaçadas biologicamente pela obesidade do que pelo próprio tumor inicial que apresentam", alerta ele.
A discussão alcança ainda mais relevância diante da ascensão das chamadas canetas emagrecedoras, que vêm revolucionando o tratamento da obesidade em todo o mundo. De acordo com Buttros, pesquisas recentes sobre a ação da semaglutida e da tirzepatida mostram que essas medicações, associadas à mudança de estilo de vida, podem gerar perdas superiores a 20% do peso corporal. Trata-se de um resultado muito superior ao observado apenas com dieta e atividade física, cuja média histórica de perda gira em torno de 2,5%.
"Milhões de pessoas convivem com o efeito sanfona durante anos. Pela primeira vez, talvez estejamos em uma era de perda de peso realmente efetiva", destaca o médico.
Por esse motivo, os possíveis impactos oncológicos das canetas emagrecedoras já vêm despertando a atenção da comunidade científica internacional. Estudos recentes demonstram que pessoas obesas tratadas com essas medicações apresentaram redução global no risco de desenvolvimento de 13 tipos de câncer. Embora ainda existam poucas publicações específicas sobre esses medicamentos e o câncer de mama, Daniel Buttros considera que os resultados iniciais são promissores. Ele aponta diminuição do risco de recidiva (retorno da doença), menor mortalidade específica relacionada ao câncer de mama e impacto positivo na mortalidade global.
Para o especialista, é possível que pessoas submetidas ao tratamento com canetas emagrecedoras precisem utilizar esses medicamentos de forma contínua. Isso porque, a obesidade é uma doença recidivante, ou seja, pode reaparecer após a perda de peso. Buttros aposta, no entanto, em prescrições com dosagens menores e drogas ainda mais aperfeiçoadas no futuro.
Estima-se que 21,8% dos homens e 29,5% das mulheres no Brasil apresentem obesidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.