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Quando a confiança entra em crise, o país inteiro paga a conta

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Quando a confiança entra em crise, o país inteiro paga a conta

De Moro a Moraes, a questão não é apenas quem está certo. É o que acontece com um país quando ninguém mais confia em quem deveria arbitrar o jogo.

Há momentos em que uma crise deixa de pertencer às instituições e passa a pertencer à sociedade. O caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República chegou a esse ponto.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, relações atribuídas a ele com autoridades, contratos envolvendo o escritório da esposa de Moraes e a investigação determinada pelo ministro André Mendonça abriram uma disputa que já não é apenas jurídica. Moraes nega a autenticidade das mensagens e os fatos ainda precisam ser esclarecidos.

Não cabe a mim dizer o que é verdadeiro ou falso. Isso precisa ser apurado.

Mas há uma pergunta que independe do resultado da investigação, o que acontece com um país quando a população deixa de confiar em quem deveria arbitrar seus conflitos?

Quando Brasília entra em guerra institucional, é fácil imaginar que o problema pertence a ministros, políticos, banqueiros e advogados. O que logo se descobre, que impacta toda uma cadeia de eventos.

A crise chega à vida real. Ao preço do crédito, à decisão de uma empresa de investir ou esperar, à confiança de quem empreende e à disposição de consumir. Chega também à política, justamente quando o Brasil entra em mais uma eleição presidencial.

Cada lado tentará transformar a crise em combustível eleitoral. Uns vão usar o episódio para atacar o Supremo. Outros tratarão qualquer crítica como ameaça à democracia.

E o cidadão fica no meio, sendo chamado a escolher um lado antes mesmo de conhecer todos os fatos.

É importante fazer uma distinção. O episódio envolvendo Sergio Moro e a Lava Jato não é igual ao que vemos agora.

Em 2019, mensagens reveladas pelo The Intercept levantaram dúvidas sobre a relação entre Moro, então juiz, e integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Em 2021, a Segunda Turma do STF reconheceu a suspeição de Moro no caso do triplex de Guarujá, decisão que foi mantida pelo plenário.

Agora, estamos diante de outro conjunto de fatos, envolvendo outro personagem e outro contexto. Mas os dois episódios produzem uma pergunta semelhante: até onde pode ir a proximidade entre quem tem poder de decidir e quem está interessado no resultado da decisão?

Essa pergunta deveria valer para Moro, para Moraes e para qualquer juiz. E não só o judiciário, porque quando se trata de lobby ou uso de influência, há uma vasta de rede de interessados que buscam interferir no curso natural de ações que impactam milhões de brasileiros.

Em 2019, muita gente relativizou as conversas de Moro porque acreditava que o objetivo era combater a corrupção. Agora, quem não gosta de Moraes corre o risco de transformar qualquer mensagem ou encontro em prova definitiva antes do fim da investigação.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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