Vanessa Moreno visita a obra de Djavan dentro do próprio universo rítmico em álbum situado distante do barzinho
Vanessa Moreno canta nove músicas de Djavan em álbum gravado em estúdio com produção musical de Fi Maróstica Rapha Moraes – O Filme Produções / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Vanessa Moreno visita Djavan Artista: Vanessa Moreno Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Vanessa Moreno é cantora que doma o ritmo com musicalidade livre, fora do convencional.
Djavan também é um senhor do ritmo como cantor, compositor e violonista.
No mundo a partir de amanhã, sábado, 29 de agosto, o álbum “Vanessa Moreno visita Djavan” marca o encontro dessa cantora hábil nas percussões vocais com o cancioneiro de um compositor que, em que pese a complexidade harmônica da obra que vem construindo desde os anos 1970, é um campeão de execução nos bares, festas e luaus.
Todo mundo canta Djavan.
Ao visitar o cancioneiro de Djavan neste álbum gravado com produção musical do baixista Fi Maróstica no estúdio Gargolândia (SP) em apenas dois dias, 28 e 29 de Outubro de 2025, Vanessa Moreno dá voz e suingue a músicas do compositor dentro do próprio universo rítmico, o que distancia o songbook do barzinho.
Com nove músicas, o álbum “Vanessa Moreno visita Djavan” é recorte de estúdio do homônimo show que a cantora vem apresentando, sobretudo na cidade de São Paulo (SP), com os músicos Felipe Roseno (percussão acústica e eletrônica) e Tarcísio Santos (guitarra e efeitos).
O trio assina junto tanto os arranjos como a concepção artística do álbum e, não, Vanessa Moreno não dilui o cancioneiro de Djavan para torná-lo mais palatável ao público em geral.
Quem conhece a cantora não vai estranhar quando o santo baixa no samba “Aquele um” (Djavan e Aldir Blanc, 1980), de cadência redesenhada pela artista com as percussões vocais que a identificam na cena musical brasileira.
Vanessa Moreno sequer se aproxima da fronteira do cover ao cantar Djavan.
Nem por isso o ouvinte deixar de sentir a euforia crescente na tonalidade de “Lilás” (1984), um dos maiores sucessos do cantor.
O dia de calor mencionado em verso de “Cigano” (1989) é evocado pela fervura das percussões e efeitos da faixa.
A cantora também sente todo o sabor de “Açaí” (1981), degustando cada verso em gravação de temperatura amena.
Em contrapartida, a base percussiva de “Oceano” (1989) dissipa a atmosfera de uma canção em essência romântica.
Já “Milagreiro” (2001), épico de arquitetura moura e nordestina que batizou álbum lançado por Djavan há 25 anos, ressurge com a toda força no canto de Vanessa em arranjo climático que harmoniza efeitos, a guitarra de Tarcísio Santos e as palmas de Alice Moreno Maróstica, evocativas da aura flamenca que também envolve essa obra-prima do cancioneiro de Djavan.
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