Toffoli e filhos de Fux e Kássio são poupados na investida de Mendonça contra Moraes no caso Master
A eclosão da crise institucional sem precedentes que chacoalha as estruturas do Supremo Tribunal Federal a poucas semanas da eleição presidencial passou a expor, com solar clareza, uma assimetria de critérios e um direcionamento político nas ações do ministro André Mendonça.
Ao converter a complexa investigação sobre as fraudes do Banco Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, numa ofensiva deliberada contra o ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais que culminaram na condenação e na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, Mendonça optou pelo silêncio sepulcral, pela omissão intencional e pela inação em relação a uma vasta teia de conexões que envolve outros integrantes da própria Corte e seus familiares mais diretos.
O duplo padrão de atuação do magistrado, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro com a ruidosa promessa pública de ser um nome “terrivelmente evangélico”, transformou o gabinete da relatoria do caso Master no centro de uma operação amplamente lida nos bastidores de Brasília e do meio jurídico nacional como uma manobra de caráter iminentemente eleitoral.
Enquanto requereu diligências agressivas sem ser instado, cobrou explicações formais da Procuradoria-Geral da República, pediu relatórios à Polícia Federal e colocou sob severa suspeita contratos que atingem a esposa de Moraes, Mendonça blindou de forma sistemática episódios de igual ou maior gravidade que alcançam o ministro Dias Toffoli e os filhos dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, este último também alçado à Corte Suprema pela gestão bolsonarista.
B lindagem sobre os negócios familiares de Toffoli O contraste perceptível na conduta de Mendonça fica evidente ao se examinar em detalhes o caso do ministro Dias Toffoli, o qual apresenta a ligação mais direta, duradoura e profunda entre um integrante do Supremo e a estrutura empresarial que gravitava em torno de Daniel Vorcaro.
Ao contrário de ilações genéricas ou triangulações indiretas, o caso de Toffoli envolve diretamente a Maridt Serviços e Participações, empresa familiar da qual o próprio magistrado é sócio declarado em registros comerciais.
As apurações levadas a cabo pela Polícia Federal e os relatórios de inteligência financeira apontam que a Maridt mantinha participação direta na propriedade e na exploração do Resort Tayayá, um luxuoso complexo hoteleiro localizado no estado do Paraná.
Entre os anos de 2021 e 2025, o fundo de investimento Arleen passou a adquirir cotas e a aportar recursos expressivos no empreendimento hoteleiro.
Contudo, as investigações revelaram que o Arleen integrava uma complexa cadeia de fundos gerida por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e conhecido operador de estruturas financeiras ligadas ao ecossistema do Banco Master.
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