De banheiros interditados a festas barulhentas: concessionária do Vale do Anhangabaú descumpriu 22 obrigações do contrato
Falhas de gestão podem levar concessão do Vale do Anhangabaú ao fim A Prefeitura de São Paulo concluiu uma análise sobre os primeiros anos da concessão do Vale do Anhangabaú, no Centro, e identificou o descumprimento de 22 obrigações contratuais pela concessionária Viva o Vale.
A apuração técnica revela falhas crônicas de zeladoria, histórico de exploração econômica irregular e uma dívida de quase R$ 2 milhões em multas vencidas desde que o consórcio assumiu a gestão do espaço, em 2021.
Finalizado em 17 de agosto, o relatório foi produzido pela SP Parcerias – empresa municipal responsável pela modelagem do contrato – para fundamentar o processo administrativo que pode levar ao fim antecipado da concessão.
O documento recomenda que a Viva o Vale seja notificada para corrigir as pendências.
Caso os problemas persistam, a prefeitura poderá avançar para a caducidade, mecanismo que permite a rescisão unilateral da parceria.
O Vale do Anhangabaú foi concedido à iniciativa privada após uma longa reforma que custou R$ 105 milhões aos cofres do município.
Comandado pela construtora WTorre, o consórcio vencedor pagou R$ 6,5 milhões pelo direito de explorar o espaço comercialmente por 10 anos.
Como contrapartida, assumiu a obrigação de oferecer atividades gratuitas, fazer a manutenção e implementar uma série de melhorias no local.
Vista do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo Leonardo Zvarick/g1 Passados quase cinco anos, a concessão tem sido marcada pelas controvérsias envolvendo barulho excessivo de festas noturnas, bloqueios constantes no acesso à área e gestão inadequada.
Em abril, a criação de um estacionamento irregular sob o Viaduto do Chá foi o estopim para que a gestão Ricardo Nunes (MDB) anunciasse a decisão de encerrar a parceria.
Questionada pelo g1 sobre as próximas etapas do processo, a prefeitura se limitou a responder que o ele "está em fase interna de análise".
O novo documento da SP Parcerias reconstrói, ao longo de 88 páginas, o histórico de fiscalizações envolvendo a Viva o Vale.
A análise conclui que os problemas identificados não são pontuais, mas recorrentes, tendo sido registrados em diferentes momentos da concessão e, em muitos casos, reaparecido após notificações e penalidades aplicadas pela prefeitura.
A maioria das irregularidades está relacionada à manutenção do espaço público e continua visível para quem circula pelo Vale do Anhangabaú.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 São Paulo.