Amor, trava e trauma: Luisa Stefani abre jogo sobre relação com o US Open
"Pode ser uma trava". "Tem a dor de ter esse trauma nessa quadra." "Jogar naquela quadra realmente traz emoções mais fortes" "Tenho mais descargo de emoções durante a semana do que em qualquer outro torneio, principalmente na Louis [Armstrong]." "Eu adoro o US Open, eu amo o US Open."
Parece justo afirmar que a relação de Luisa Stefani com o US Open é conflituosa. Ao mesmo tempo em que costuma atuar bem no torneio nova-iorquino, afinal já fez três semifinais, foi lá também que a atual duplista número 3 do mundo rompeu o ligamento anterior cruzado, em 2021, e onde sofreu derrotas bastante doídas como as de 2025 e 2026.
Além disso, a paulista de 29 anos segue sem vencer no Estádio Louis Armstrong, o mesmo em que sofreu a lesão. Este ano, novamente lá, ela e sua parceira, a canadense Gabriela Dabrowski, tiveram dois match points e, depois, abriram 8-2 no tie-break, mas deixaram escapar a vaga na final. Em 2025, também sofreu am Nova York a derrota que mais machucou na temporada. "Uma facada", disse, em nossa última entrevista .
Encontrei Stefani no Parque Villa-Lobos nesta segunda-feira, durante o SP Open, e fiz três perguntas em uma pequena entrevista exclusiva. Luisa abriu o coração para falar de sua relação com o torneio americano e o estádio. A brasileira usou expressões como "trava", "trauma" e "descargo de emoções" (as frases do início deste post), mas também disse logo de cara que ama o US Open. Leia abaixo.
Quando a gente conversou no fim do ano, eu te perguntei qual a derrota mais dura da temporada. Você falou que foi o jogo de quartas de final do US Open do ano passado [Luisa Stefani e sua parceira na época, a húngara Timea Babos, perderam de Gabriela Dabrowski e Erin Routliffe]. E este ano imagino que seja também essa de agora, nas semifinais do US Open. Como é que está a sua relação com o torneio? Porque teve a lesão, agora essas duas derrotas, mas você sempre joga bem lá. Como é esse contraste?
Não sei dizer. Eu adoro o US Open, eu amo o US Open. Eu não tenho remorso da lesão ou das derrotas. Acho que eu tenho as derrotas mais duras lá. Mais doloridas, vamos dizer. Não sei se as mais duras. Mas é... Eu acho que tem um lado emocional a mais depois da lesão. É uma batalha que eu sempre tento conquistar quando eu estou lá. Eu adoro jogar lá, as condições são boas pra mim. Eu não tenho um sentimento amargo quando estou lá. A Louis, a quadra... Eu já fui treinar, eu gosto da quadra, mas ainda não consegui ganhar naquela quadra. É estranho porque é fácil falar... Pode ser uma trava ali por causa da semifinal, foi onde eu lesionei. Jogar naquela quadra realmente traz emoções mais fortes ou diferentes de qualquer outro. Tenho mais descargo de emoções durante a semana do que em qualquer outro torneio, principalmente na Louis.
No dia antes da semi, eu também tive um descarrego, mas eu sinto que é parte da minha preparação também, de saber que pode ser que eu enfrente emoções diferentes. Acho que você entra pela mesma escada, pelo túnel. Eu tive uma situação traumática lá que afetou bastante a minha vida. Trouxe muitas coisas boas pra minha vida, mas não tem como negar que foi uma lesão bem traumática, bastante dolorosa na época também.
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