Com saques de R$ 8,8 bi no ano, fundos macro cortam ainda mais aposta no Brasil
Enquanto veem os cotistas retirarem recursos, os fundos multimercado macro vêm reduzindo a exposição ao Brasil.
Segundo estimativas da XP, a aposta em ativos ligados à economia local caiu para um patamar abaixo da média histórica.
Os multimercados macro montam suas posições a partir de leituras de cenário econômico, apostando na direção de juros, câmbio e bolsa, e por isso costumam funcionar como termômetro do apetite dos gestores profissionais por ativos locais.
A métrica que acompanha o chamado Kit Brasil em janela de 45 dias úteis chegou a um desvio padrão abaixo da média, tomando como referência o desvio padrão do modelo de 90 dias úteis, e todas as janelas acompanhadas recuaram na margem.
O Kit Brasil é uma estimativa estatística elaborada pelo time de pesquisa macro da XP, que roda regressões que comparam o retorno diário dos fundos com o comportamento de Ibovespa, dólar e índices de renda fixa, e a partir daí deduz o quanto os gestores estão apostando na valorização dos ativos locais.
Quanto maior o indicador, maior a exposição estimada ao Brasil.
Leia também: Tesouro IPCA+ que volta ao bolso do investidor nesta 2ª supera o CDI com folga Pela leitura da ponta no modelo de janela mais curta, de 25 dias úteis, os fundos seguem comprados em S&P 500 e em Ibovespa, com essa exposição em queda, e vendidos em dólar contra o real, o que equivale a apostar na valorização da moeda brasileira.
No modelo de janela mais longa, de 90 dias úteis e dez variáveis explicativas, aparecem também comprados em IRF-M, o índice de títulos públicos prefixados que se beneficia da queda dos juros nominais, e vendidos em petróleo.
A XP recomenda que as duas leituras sejam interpretadas em conjunto, já que a primeira capta melhor a virada recente e a segunda é menos volátil.
A amostra reúne fundos máster classificados pela Anbima como multimercado macro e cobre a maior parte da categoria, com patrimônio de cerca de R$ 75 bilhões em abril.
Investidores em retirada O movimento vem meio a forte saída de recursos da subclasse.
Os multimercados macro registraram resgates líquidos de R$ 8,8 bilhões de janeiro a julho, com R$ 5,5 bilhões concentrados apenas em junho e julho, no pior bimestre para a categoria desde abril e maio de 2025.
“Temos observado um avanço dos resgates líquidos nas últimas semanas”, reconhece a XP em relatório em que elenca as estimativas a partir de acompanhamento diário da diferença entre aportes e retiradas dos cotistas, o que antecipa em semanas os números da Anbima, divulgados apenas no mês seguinte.
O ritmo de saques, ainda assim, é menos intenso que o do ano passado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.