Dona do Google vê ações despencarem 13% e perde US$ 500 bilhões em valor de mercado
A queda das ações repercutiu nos mercados, e o Nasdaq, fortemente concentrado em empresas de tecnologia , chegou a recuar 1,87% na sessão desta quinta.
Se a queda persistir até o fechamento, será a segunda maior perda diária de valor de mercado da história de Wall Street, atrás apenas do tombo de US$ 593 bilhões da Nvidia em janeiro de 2025.
O fluxo de caixa do grupo do Vale do Silício afundou ainda mais em território negativo nos três meses encerrados em setembro, chegando a US$ 9,1 bilhões negativos (R$ 48,65 bilhões negativos), após a empresa elevar seus gastos com IA para mais de US$ 50 bilhões (R$ 267,33 bilhões) no trimestre.
O resultado, que superou as previsões dos analistas, marcou apenas o segundo trimestre de fluxo de caixa negativo desde que o Google abriu seu capital, em 2004. Isso também ocorre em um momento em que os investidores estão cada vez mais cautelosos quanto à possibilidade de o histórico boom de investimentos em IA trazer retorno.
A receita de sua maior divisão aumentou 12% em relação ao ano anterior, para US$ 63,4 bilhões (R$ 338,97 bilhões), abaixo da estimativa de US$ 64,9 bilhões e desacelerando ante uma taxa de crescimento anual próxima de 20% no início do ano.
"É nas buscas que está a preocupação", disse David Wagner, chefe de renda variável da Aptus Capital Advisors. "Em um mercado preocupado com a possibilidade de chatbots de IA canibalizarem seu principal negócio, os investidores precisam vê-lo acelerando, e não desacelerando", avaliou.
A mudança para um cenário de consumo de caixa foi provocada por gastos de capital históricos em IA, enquanto a Alphabet aposta tudo no potencial transformador dessa tecnologia ainda em evolução.
Os investimentos de capital cresceram para US$ 51,3 bilhões (R$ 274,28 bilhões) no trimestre, ante US$ 44,9 bilhões no segundo trimestre. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, reiterou que esses gastos poderiam chegar a US$ 205 bilhões neste ano, o que implica despesas de até US$ 73,1 bilhões no quarto trimestre.
O Google informou ter assumido compromissos futuros superiores a US$ 1 trilhão (R$ 5,35 trilhões) com compras, arrendamentos, equipamentos, energia e outras obrigações relacionadas a data centers.
Em contraste, a Microsoft teve uma recepção mais favorável depois que o forte crescimento de sua unidade de nuvem Azure ajudou a receita e o lucro a superarem as estimativas. Embora os investimentos de capital tenham subido para US$ 45,2 bilhões (R$ 241,67 bilhões), a empresa ainda registrou fluxo de caixa livre de US$ 18,6 bilhões (R$ 99,45 bilhões).
"Os mercados estão avaliando cuidadosamente a relação entre os investimentos de capital e o fluxo de caixa livre", comentou Dec Mullarkey, diretor-geral da gestora de ativos SLC Management. "A Microsoft se destaca pela disciplina de caixa, ao mesmo tempo que entrega crescimento.
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