Por que a maior parte das pesquisas eleitorais não previu Flávio Bolsonaro à frente no 1º turno?
Desde pelo menos 2018, setores da sociedade discutem se o bolsonarismo é um fenômeno subestimado pelas pesquisas, hipótese que foi reavivada no 1º turno das eleições de 2026 .
Enquanto a maioria dos levantamentos já divulgados sobre o 2º turno projeta Flávio Bolsonaro (PL) à frente ou empatado tecnicamente com Lula (PT), há duas semanas o cenário era o oposto.
Quem acompanhava as pesquisas eleitorais se surpreendeu ao ver Flávio Bolsonaro à frente, com 47,03% dos votos válidos no dia 4 de outubro, ao passo em que o atual presidente obteve 45,16%.
A reportagem do JOTA conversou com representantes dos institutos que acertaram e com institutos que erraram a ordem dos candidatos no 1º turno para tentar entender o que aconteceu.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Yuri Sanches, chefe de análises políticas na AtlasIntel – que projetou 46,7% para Lula e 43,8% para Flávio Bolsonaro na última pesquisa antes das eleições (47% e 44,1% nos votos válidos) –, acredita que a tomada de decisão tardia de alguns eleitores influenciou na imprecisão, mas que “seria prematuro” atribuir toda essa diferença ao que ocorre na véspera da eleição.
Para ele, o fenômeno tem a ver com uma conversão de eleitores que votaram no petista em eleições passadas.
“A hipótese que estamos investigando é a existência de um grupo de eleitores que votaram em Lula em 2022, migraram para Flávio em 2026, mas fizeram essa mudança sem grande entusiasmo ou identificação positiva com Flávio Bolsonaro.
Esse tipo de eleitor pode ser menos propenso a participar de pesquisas, menos disposto a declarar uma preferência firme ou mais difícil de distinguir dos eleitores desengajados”, afirmou.
A AtlasIntel realiza um cálculo ponderado que leva em conta o comportamento eleitoral anterior.
A consulta aos possíveis eleitores ocorre por meio digital.
A última pesquisa antes do 1º turno ouviu 4.945 pessoas de 27 de setembro a 2 de outubro.
Para Sanches, além da questão da mudança de voto, há uma hipótese de que muitos eleitores de Flávio sejam oriundos de cidades pequenas e interioranas, de modo que podem não ser tão captados pelos institutos.
“Por isso, nossa hipótese hoje é de uma combinação entre consolidação tardia e uma subrepresentação desse eleitorado nas pesquisas”, afirma.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, tem uma visão diferente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.