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ONU prevê aquecimento global mais intenso, mesmo no melhor dos cenários

UOL Notícias ·
ONU prevê aquecimento global mais intenso, mesmo no melhor dos cenários

LONDRES, 21 Out (Reuters) - O aquecimento global deve ser mais intenso que as projeções anteriores, mesmo no cenário mais otimista, ​com as temperaturas médias subindo para ​1,7 a 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até meados do século, segundo um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Apesar da rápida expansão das energias renováveis ​e das políticas ⁠climáticas que estão ​reduzindo as emissões em muitos países, o relatório ⁠afirmou que ainda são necessárias reduções “urgentes e ​rigorosas” para alcançar esse melhor cenário possível.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indicou que as ‌emissões de gases de efeito estufa ‌precisariam cair ​18% em relação aos níveis de 2025 até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Os planos nacionais atuais reduziriam as emissões ‌em apenas 5% a 8% até 2030 e 11% a 15% até 2035.

O relatório projetou um aquecimento global de 2,8 graus Celsius até 2100 sob as políticas atuais, ou 2,6 °C caso os países implementem integralmente os compromissos climáticos existentes. Ambas as estimativas são superiores às projeções do ano passado, refletindo a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e as ‌avaliações revisadas das emissões históricas.

Enquanto os países se preparam para a próxima rodada de negociações climáticas na Turquia, a COP31, o ​secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que é crucial não desistir dos esforços para conter as emissões ‌que estão causando inundações, incêndios e outros desastres naturais.

“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais ‌curto possível – e fazer com ‌que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, ⁠disse ele.

De acordo com o Acordo de Paris de 2015, os países concordaram em tentar manter o aumento médio da temperatura bem abaixo de 2 graus e, idealmente, em 1,5°C.

Como limitar o aquecimento a 1,5°C sem ultrapassagem ​ou com ultrapassagem limitada ​não é mais considerado possível, o PNUMA disse que seu novo cenário de ultrapassagem “mais baixo possível” oferece cerca de 50% de chance de que as temperaturas possam retornar a 1,5°C ou menos até 2100.

O relatório indicou que os planos climáticos apresentados desde o ano passado praticamente não alteraram as projeções de aquecimento futuro e que o ⁠retorno à meta de 1,5°C dependeria da remoção de carbono em grande escala, ​cuja viabilidade é incerta.

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