A cidade que é a face mais visível da rápida multiplicação de trabalhadores chineses no Brasil
Em uma noite de sexta-feira, o futebol era brasileiro, mas o idioma em campo misturava português e mandarim.
Sob os refletores da Epic Arena Boulevard, em Camaçari, cidade a 50 quilômetros de Salvador, funcionários da BYD, montadora de carros elétricos, disputavam um “baba”, como os baianos chamam a pelada entre amigos.
Dos 22 jogadores, sete eram chineses.
De meiões e chuteiras, eles não exibiam a mesma intimidade dos colegas brasileiros com a bola, mas compensavam com disposição.
Entre os que aguardavam para entrar em campo estava Yang Zuopeng, de 40 anos, responsável por treinamento e inspeção de qualidade na montadora.
Yang joga ali toda semana, mas a conversa com os brasileiros exige ajuda tecnológica.
No celular, ele digita em mandarim e mostra na tela a tradução para o português.
Foi assim que descreveu Camaçari como uma cidade “muito boa” e de gente acolhedora.
DIVERSIDADE - Funcionário chinês na BYD: cerca de 10% da força de trabalho Claudio Gatti/.
A cena no gramado sintético resume uma transformação maior.
Nos últimos anos, a baiana Camaçari passou a receber engenheiros, técnicos e trabalhadores chineses envolvidos na implantação do complexo da BYD.
Eles já ocupam quadras, restaurantes, supermercados, hotéis e condomínios.
Aos poucos, integram-se à rotina local e ajudam a modificá-la.
Os profissionais geralmente permanecem na cidade por dois ou três meses, em sistema de rodízio.
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