Meio ano após início da guerra, EUA trocam impasse militar por ofensiva econômica contra o Irã
Meio ano após início da guerra, EUA trocam impasse militar por ofensiva econômica contra o Irã - Guerra que duraria apenas quatro semanas, segundo Donald Trump, completa seis meses e sem um sinal de estar próxima do fim.Quando os primeiros caças americanos e israelenses cruzaram o céu do Irã em 28 de fevereiro, a promessa da Casa Branca era de um conflito resolvido em quatro semanas. Seis meses depois, não há um acordo de paz à vista: o Irã continua contra-atacando, o Estreito de Ormuz permanece no centro do impasse e os Estados Unidos passaram a apostar em pressão econômica para tentar forçar Teerã a ceder.
Apesar das sucessivas declarações de Donald Trump alegando ter "derrotado" o adversário, Teerã mantém a capacidade de contra-atacar. Nem mesmo a morte do líder supremo Ali Khamenei – que governou o Irã por mais de 35 anos –, logo na fase inicial da ofensiva, foi suficiente para provocar o colapso do regime.
Militarmente, segundo analistas, Washington conseguiu causar danos severos à infraestrutura iraniana. Mas os objetivos estratégicos originaisapresentados pelo governo americano continuam incertos ou distantes, como impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear e limitar o apoio de Teerã a grupos armados aliados na região.
A mudança mais significativa dos últimos meses está justamente na estratégia americana: depois de uma campanha militar que não produziu o efeito esperado de vitória para a Casa Branca, Washington tenta agora pressionar a economia iraniana até que o governo de Teerã aceite negociar.
Impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear é um dos principais objetivo declarados por Trump para a guerra. Mas, seis meses depois, ainda não é possível determinar com certeza quanto da capacidade nuclear iraniana foi destruída.
Segundo a agência de notícias Reuters, avaliações da inteligência dos EUA em maio estimavam que o chamado "tempo de ruptura nuclear" (breakout time) do Irã – o período necessário para produzir material físsil suficiente para uma bomba – havia aumentado para até um ano, ante até seis meses antes da guerra.
O problema, diz a agência, é que o verdadeiro estado do programa nuclear iraniano permanece incerto já que os inspetores da ONU ainda não retornaram aos locais nucleares do país. "A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não consegue verificar a localização de aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% desde os ataques de 2025", diz a Reuters.
O Irã há muito tempo nega que esteja buscando desenvolver uma bomba nuclear.
Um dos pontos centrais de pressão durante todo o conflito é o Estreito de Ormuz. A via, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, não era um dos alvos originais de Trump, mas foi, e segue sendo, utilizada por Teerã como arma de retaliação econômica e política.
A interrupção do tráfego fez os preços de energia dispararem e aumentou os temores de inflação e desaceleração econômica.
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