Advogada presa pelo Gaeco já havia sido absolvida por ligação com PCC
A advogada Raianni Caroline Almeida Passos, de 37 anos, que atua em Dourados, é uma das pessoas presas nesta quinta-feira (29) durante a Operação Consorte, que investiga o vazamento de informações sigilosas da segurança pública para integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em janeiro de 2025, ela conseguiu na Justiça a absolvição de outra acusação relacionada à facção criminosa.
Na época, os desembargadores reconheceram que sua atuação como defensora de suspeitos de um roubo seguido de morte não configurava crime.
A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Courrier, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
A investigação tem como alvos a advogada e o marido dela, policial militar suspeito de acessar sistemas restritos da segurança pública para fornecer informações à esposa.
O mandado de prisão preventiva foi assinado pelo desembargador Carlos Eduardo Contar, relator do processo na 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).
A reportagem não conseguiu confirmar a identificação do PM preso.
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a advogada repassava os dados obtidos pelo PM a integrantes do PCC.
Os investigadores apontam que o casal mantinha ligação com a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo da organização criminosa formado por advogados suspeitos de transmitir mensagens e ordens entre lideranças presas e integrantes da facção em liberdade.
A operação desta quinta-feira mobilizou equipes em Campo Grande e Dourados para cumprir os dois mandados de prisão e três de busca e apreensão.
A Corregedoria da Polícia Militar e a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul) participaram da ação.
O Gaeco investiga os crimes de organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional.
Raianni Caroline Almeida Passos é conselheira do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/MS, vice-presidente da Comissão da Advocacia Criminal da OAB/MS e presidente da comissão da Mulher Advogada Criminalista da Abracrim (Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas) em Mato Grosso do Sul.
Absolvição anterior Raianni já havia enfrentado uma acusação por suposta ligação com uma liderança do PCC.
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