Com qualquer presidente, Congresso terá a faca e o queijo
Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro"
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Em seus últimos movimentos, Lula se aproximou dos chefes do Congresso e, ao mesmo tempo, aumentou o tom de crítica às emendas parlamentares, propondo mudanças em sua execução. Uma coisa não combina com a outra. A não ser na lógica particular das campanhas eleitorais.
Após quatro anos de estresse com o grupo de partidos fisiológicos que comanda a Câmara e o Senado , o Planalto conseguiu uma trégua. Fez arranjos para ter juntos no palanque governistas e integrantes do centrão e influiu na decisão do grupo de adotar a neutralidade em relação à corrida presidencial, isolando a candidatura bolsonarista.
Para afastar qualquer possibilidade de não se reeleger na Paraíba, Hugo Motta queimou a largada e já declarou o voto em Lula —para surpresa de ninguém. A tendência é que outros deputados e senadores do bloco suprapartidário façam o mesmo, principalmente nos estados do Nordeste, onde o petista lidera as pesquisas com folga.
Com Davi Alcolumbre , a conversa é mais difícil. Pela segunda vez, em poucos dias, Lula se reuniu com o presidente do Senado, sonhando em destravar a PEC da Segurança , já aprovada na Câmara e que integra as polícias brasileiras para combater o crime organizado, e a PEC que prevê o fim da escala 6x1 , de forte apelo popular.
Escorregadio , Alcolumbre diz que pode ser, mas só depois das eleições. Uma promessa vaga, da boca para fora e pouco confiável no momento. Tudo no Brasil hoje está à espera do resultado das urnas. Tampouco se pode garantir que, no segundo turno de uma eleição que promete ser apertada, a turma que ficou ao lado de Lula na primeira rodada e conseguiu se eleger não vá mudar de lado, surfando na onda do antipetismo. É a natureza do centrão.
No programa do governo Lula protocolado no TSE , consta o enfrentamento ao atual sistema de emendas parlamentares, que multiplicou o poder do Legislativo. O candidato, contudo, não explicou a maneira de combater o problema. É uma luta vã. Seja quem for o futuro presidente, o Congresso terá a faca e o queijo.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.