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Operação Escudo: PMs vão a júri por tentativa de homicídio contra motoboy

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Operação Escudo: PMs vão a júri por tentativa de homicídio contra motoboy

A Justiça de São Paulo determinou que três policiais militares envolvidos na Operação Escudo sejam julgados pelo Tribunal do Júri pela tentativa de homicídio em agosto de 2023 contra o entregador Evandro Alves da Silva, 44, que sobreviveu ao ataque após 23 dias em coma.

Os três PMs respondem ao processo em liberdade. A Justiça decidiu que os réus Daniel Pereira Noda, Carlos Vinicius Batista Bruno e Thiago Freitas da Silva permanecerão em liberdade até nova deliberação, pois não houve fatos novos ou elementos concretos que justificassem a necessidade de decretação de prisão cautelar neste momento.

A decisão de pronúncia contra três policiais militares do 5º BAEP foi assinada na quarta-feira (12). Na decisão, a juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia considerou haver indícios suficientes de tentativa de homicídio qualificado durante a operação no litoral paulista.

Magistrada citou materialidade do crime, depoimento da vítima e reconhecimento pessoal como provas. Segundo a decisão, a materialidade foi comprovada por meio do boletim de ocorrência, laudos periciais de exame de corpo de delito da vítima e demais elementos colhidos na fase policial e judicial. Os laudos descreveram ferimentos graves que resultaram na perda do baço e de parte do pulmão da vítima.

No dia 30 de agosto de 2023, Evandro foi baleado nu enquanto usava um banheiro. Ele estava em um imóvel que funcionava como ponto de apoio para mototaxistas no Morro José Menino, em Santos. Em depoimento à polícia, o homem afirmou que foi atingido no peito por um disparo efetuado por um policial através de uma janela.

Vítima afirmou que não estava armado e que os policiais não se identificaram antes de atirar. Evandro reconheceu o réu Daniel Pereira Noda como o policial que o havia abordado e fotografado seus documentos dois dias antes do crime, no mesmo local

A decisão também menciona relatórios elaborados a partir da análise das imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais. Embora a defesa dos PMs sustente a tese de legítima defesa, a acusação alega que as imagens mostram que a vítima estava em situação de vulnerabilidade. A juíza concluiu que, diante das versões conflitantes entre a acusação e a defesa, o caso deve ser decidido pelo Tribunal do Júri.

Defesa dos agentes diz que eles agiram em legítima defesa. O advogado Gilberto Quintanilha, que representa os três policiais no caso, afirmou que seus clientes "agiram em legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal". Segundo ele, "tudo será provado no curso do processo".

Em dezembro de 2025, a Justiça paulista seguiu parecer do Ministério Público e arquivou a investigação por falta de "elementos para embasar uma ação penal". O entregador respondia a inquérito por resistência e porte ilegal de arma de fogo por ter tentado fugir durante a abordagem policial.

O procedimento se baseava no relato dos três PMs. Segundo eles, o entregador estava armado e tentou fugir dos policiais durante uma abordagem dentro de sua casa, em Santos.

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