Brasil não enfrenta crise fiscal que justifique austeridade, diz Gabrielli
O Brasil não enfrenta uma crise fiscal que justifique medidas de austeridade , de acordo com o coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli.
Em entrevista à Bloomberg , publicada nesta quarta-feira (2), o também ex-presidente da Petrobras afirmou que o ajuste das contas públicas deve priorizar a eficiência de gastos , e não cortes que afetem políticas sociais.
Gabrielli citou a situação das reservas internacionais, superiores a US$ 300 bilhões, e o colchão de liquidez do Tesouro, que seria suficiente para cobrir quase oito meses de vencimentos da dívida.
Em sua avaliação, esses fatores dão ao país margem para enfrentar os desafios fiscais sem recorrer a cortes expressivos.
Leia Mais Tarifaço: Brasil tenta reunião com USTR em encontro do G20 Produção industrial no Brasil avança 0,2% em julho, diz IBGE PIB do Brasil fica em 5º lugar em ranking de crescimento com 50 países Na entrevista, ele ainda criticou propostas defendidas por integrantes do mercado financeiro para conter o avanço das despesas, entre elas o fim dos aumentos reais do salário mínimo e mudanças nas regras dos gastos obrigatórios com saúde e educação.
“Essas duas coisas são praticamente impossíveis de aceitar, porque um governo comprometido com o combate à desigualdade e com a ampliação dos gastos sociais não pode aceitá-las”, afirmou.
O coordenador do programa de governo petista reconheceu, porém, que há espaço para melhorar as despesas públicas.
Entre as alternativas, mencionou a revisão de subsídios considerados ineficientes e mudanças na distribuição das emendas parlamentares no Orçamento.
A discussão ocorre em um momento de maior preocupação do mercado com a trajetória da dívida pública.
Nesta segunda-feira (31), o BC (Banco Central) divulgou os dados da dívida bruta do governo , que atingiram o patamar de 82,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em julho , alta de mais de 10 pontos percentuais desde o início do atual mandato de Lula, em 2023.
Por Lucinda Pinto: Mercado melhora apostas sobre fiscal em Lula 4 | FECHAMENTO DE MERCADO Durante jantar entre empresários e investidores e o presidente Lula, no Palácio da Alvorada, o principal tema discutido foi o patamar dos juros no país , que eleva os custos de financiamento e prejudica os resultados das empresas.
O coordenador também questionou a meta de inflação atual, considerada por ele excessivamente rígida diante do cenário internacional.
Na avaliação de Gabrielli, a busca por maior eficiência no gasto público pode contribuir mais para o equilíbrio fiscal do que um endurecimento das regras de despesas.
“Temos uma meta de inflação que é irrealista.
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