Talibã sobrevive a cinco anos de isolamento e reconsolida poder no Afeganistão
Talibã sobrevive a cinco anos de isolamento e reconsolida poder no Afeganistão - Desde que grupo voltou ao poder em agosto de 2021, conflitos armados arrefeceram e direitos das mulheres foram desmantelados. Governo só é reconhecido pela Rússia, mas outros poderes mantêm laços pragmáticos com Cabul.Nos cinco anos desde o retorno do Talibã ao poder, que se completam neste sábado (15/08), o aniversário da queda de Cabul, o Afeganistão assistiu ao arrefecimento dos conflitos armados e à estabilização do contexto de segurança. Mas as restrições impostas a mulheres e meninas, somadas às preocupações ligadas ao terrorismo, comprometem as perspectivas de longo prazo no país, na avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU).
Pouco mais da metade das mulheres afegãs (52%) agora sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês, apontaram dados divulgados nesta semana pela ONU Mulheres. Elas vivem no único país a proibir meninas de frequentar o ensino médio e mulheres de irem às universidades. Em contraste, 96% dos homens disseram deixar suas residências diariamente.
"Meia década após a tomada do poder pelo Talibã, em agosto de 2021, o Afeganistão desmontou sistematicamente os direitos de metade de sua população, tornando-se um caso isolado no mundo, sem paralelo na era moderna," afirmou, em comunicado, a agência dedicada à promoção da igualdade de gênero.
Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama), as restrições geram custos sociais e econômicos, sendo um dos principais obstáculos para a ampliação das relações internacionais do governo afegão e a atração de investimentos. Isso apesar de a redução dos conflitos ter aberto oportunidades de recuperação econômica e de costura de alianças regionais.
"A paz e a prosperidade sustentáveis exigem mais do que a ausência de conflito", afirmou em comunicado de sexta-feira Georgette Gagnon, representante especial adjunta da ONU para o Afeganistão e chefe interina da Unama. As limitações ao espaço cívico e à liberdade de expressão também reduzem a capacidade do país de se beneficiar da cooperação internacional, de acordo com a Unama.
O Afeganistão continua politicamente fechado, sem eleições nem Parlamento eleito, outro ponto sensível para a comunidade internacional. As principais decisões se concentram em torno do líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada. Não há oposição com capacidades para disputar o poder, enquanto os meios de comunicação trabalham sob fortes restrições.
Desde que voltou ao poder em agosto de 2021, o Talibã impediu cerca de 2,4 milhões de afegãs de frequentar o ensino médio, reportou nesta semana a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
As autoridades emitiram mais de 100 decretos voltados contra mulheres e meninas desde que assumiram o poder, institucionalizando a discriminação e aprofundando o que a ONU Mulheres classifica como a mais grave crise de direitos das mulheres no mundo.
Medidas adotadas neste ano aboliram a igualdade jurídica entre homens e mulheres perante a lei, reforçaram a autoridade masculina dentro do casamento e dificultaram o acesso das mulheres ao divórcio.
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