Lula vai ao Nordeste fazer campanha por aliados, mas sem magoar adversários
Uma semana após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fazer um tour de sua campanha pelos três maiores colégios eleitorais do Nordeste , será a vez de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitar estados da região entre esta quinta-feira, 24, e sexta, 25.
No entanto, diferentemente do seu opositor, o petista não terá a preocupação apenas de fortalecer a sua campanha e a de seus aliados, mas de evitar desgaste com partidos e líderes políticos que podem ser úteis num eventual segundo turno presidencial.
Nesta quinta, Lula vai a Maceió para apoiar a candidatura do ex-ministro Renan Filho (MDB) ao governo de Alagoas e a reeleição de seu pai, Renan Calheiros (MDB), ao Senado.
No entanto, ele precisará ter cuidado com as palavras nesse palanque, visto que um dos principais rivais dos Calheiros é o deputado Arthur Lira (PP) , que também é candidato ao Senado e é um dos principais dirigentes de um partido com o qual o presidente vem tentando negociar a manutenção da neutralidade no segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto.
Além disso, caso seja reeleito, o petista provavelmente terá que lidar com a influência de Lira no Congresso, caso o parlamentar consiga chegar ao Senado.
No dia seguinte, Lula desembarcará em Recife, onde fará uma caminhada com o ex-prefeito da cidade João Campos (PSB) e os candidatos ao Senado por sua chapa ao governo de Pernambuco — o senador Humberto Costa (PT), que tenta a reeleição, e a ex-deputada Marília Arraes (PDT).
No território pernambucano, o petista também terá que tomar cuidado porque a eleição local é complexa, já que a principal adversária de João Campos, a governadora Raquel Lyra (PSD) , tem boa relação com o presidente e tenta mantê-lo neutro na disputa — o petista também faz elogios com frequência à mandatária.
Também há interesse futuro de Lula em atrair o PSD, não só para o segundo turno presidencial, mas para o seu eventual quarto mandato — o partido já ocupa ministérios na atual gestão.
Lula espera, no mínimo, convencer o cacique da legenda, Gilberto Kassab, hoje candidato a vice de Ronaldo Caiado (PSD), a manter a neutralidade num eventual duelo final com Flávio.
Continua após a publicidade Aliados em dificuldade A ida de Lula aos dois estados é fortemente esperada pelos Calheiros e por João Campos, visto que suas candidaturas travam disputas acirradas pelos governos estaduais.
Em Pernambuco, o candidato do PSB está com 41% contra 43% da governadora do PSD, um empate técnico dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
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