O verme que "devora" Salvador: conheça o pichador clandestino LVC
A pichação feita por LVC, há algum tempo, no muro de um imóvel da União em Salvador já estava quase sumida, então, o artista e pichador decidiu que faria uma nova para mostrar à reportagem, mesmo ouvindo que isso não era necessário.
Depois de caminhar tranquilamente pela área externa do prédio público, carregando alguns panos sob o braço esquerdo, LVC, que aparenta ter mais de 40 anos, chega ao fundo das instalações e observa o movimento ao redor.Certificado de que não há um vigilante por perto, o visitante começa uma rápida transformação no visual, em frente ao pequeno barranco com alguma vegetação, que separa o passeio da viga de cimento exposta, parte da sustentação do prédio.Às pressas, LVC veste uma calça preta de algodão, com desenhos feitos de grafite, por cima da bermuda que usava.
Uma camisa é amarrada ao seu rosto, deixando à mostra apenas os olhos e um pedacinho do nariz.
Em poucos instantes, a viga também vai mudar, vai ganhar uma pichação, em plena luz do dia.
"O prédio está abandonado, rapaz.
Isso é até uma forma de sinalizar esse abandono", diz o artista.LVC sabe que sua atividade é considerada crime de vandalismo.
Tanto que vive de forma parcialmente clandestina, não informa nada que possa identificá-lo, nem a idade, é arisco a gravar a sua voz em entrevistas e, sobretudo, assumiu a identidade social de LVC Vandalismo.
Uma sigla que tampouco gosta de explicar.
Foto: Shirley Stolze | Ag.
A TARDE Devidamente disfarçado, LVC, que se define como um "pirata urbano", pega no chão a lata de spray que trouxe consigo, recua um pouco para tomar impulso e escala rapidamente o barranco.
Uma vez lá em cima, demora menos de 15 segundos para desenhar o "verme", pichação, ou pixo, que o tornou conhecido até fora do país.
Na sua edição de 29 de agosto de 2023, a revista Piauí publicou a matéria A grife do verme – um pichador conquista bairros ricos de Salvador.É que, desde 2009, cinco anos antes de criar o verme, o cara que começou a fazer pixos com colegas de escola aos 12 anos, vende camisas, calças, tênis, tapetes e quadros com o seu trabalho.
E desde 2014, o grande destaque é a famosa estampa que, normalmente, é espalhada gratuitamente à noite pelas ruas, algumas vezes com risco de morte.Em visita a Salvador no ano passado, a tradutora brasileira Paula Góes, que mora no exterior, reparou o desenho do verme em alguns pontos da capital baiana, mas até então não sabia da existência de LVC Vandalismo.Um dia, Paula estava no cinema ao lado do paquera quando viu alguém vestindo uma camiseta com o verme.
"Perguntamos onde ele tinha comprado e ele apontou a conta @lvcvandalismo no Instagram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.