Lula vence Flávio Bolsonaro contra todos os prognósticos e governará o Brasil pela 4ª vez
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quase 81 anos, foi reeleito neste domingo (25) para um inédito quarto mandato, ao derrotar seu adversário conservador, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com a vitória, o Brasil se desvia da guinada à direita que países como Argentina, Chile e Colômbia deram, respaldados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se mantém como um dos poucos redutos progressistas da região.
Lula desafiou todas as previsões depois de perder no primeiro turno para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ele venceu com 51,7% dos votos, contra 48,2% do senador Flávio Bolsonaro.
Na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, os apoiadores de Lula choravam.
"Estou muito emocionada, é uma vitória histórica para o presidente Lula. O povo se mobilizou, se uniu e estamos aqui hoje", disse à AFP a advogada Mariana Andrade, de 33 anos.
Mesmo antes desta reeleição, Lula já detinha um recorde: nenhum presidente eleito democraticamente governou o país por tanto tempo.
Um dos líderes mais longevos do mundo, ele terá 85 anos ao fim de seu novo mandato, em 2030, e terá acumulado, assim, 16 anos no poder, após um primeiro período na Presidência, de 2003 a 2010.
Pouco conhecido quando seu pai o apontou como herdeiro político, Flávio Bolsonaro, de 45 anos, apresentou-se como uma versão mais moderada e conquistou conservadores e eleitores menos ideologizados com promessas de mudança, em um cenário de insatisfação com a insegurança, o custo de vida e a estagnação.
Para reverter o resultado do primeiro turno, Lula multiplicou, na reta final da campanha, medidas populares, muitas delas dispendiosas.
Aumentou os recursos destinados ao Bolsa Família, seu principal programa social, voltado às famílias mais pobres.
Também impulsionou a aprovação de uma reforma constitucional proibindo a escala 6x1, o que reduz a jornada de trabalho e concede a milhões de brasileiros um dia adicional de descanso semanal.
Lula levantou a bandeira da soberania, acusando Donald Trump de querer interferir na votação.
Mas foi a Meta que, nos últimos dias, se tornou o principal alvo dos ataques mais duros da esquerda.
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