Capela no Ipiranga, que reúne obras de Volpi e Burle Marx, é tombada pelo patrimônio histórico federal
Iphan aprova tombamento da Capela do Cristo Operário (SP) Reprodução/Agência Brasil A Capela do Cristo Operário, na Vila Brasília Machado, região do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, foi tombada em nível federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A decisão foi tomada na 114ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do órgão, realizada nesta terça-feira (22).
O tombamento inclui, além da capela, o acervo de bens móveis e integrados e os edifícios remanescentes da antiga Fábrica Unilabor.
O conjunto foi inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes.
A capela já tinha proteção nas esferas municipal e estadual desde 2004, por meio do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), pela Resolução nº 11/2004, e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), pela Resolução SC nº 42/2004.
O relator do processo, Eduardo Pierroti Rossetti, defendeu durante a reunião que o tombamento era necessário.
“A conclusão, portanto, prezados Conselheiros, é que é imperioso tombar a Capela do Cristo Operário, acervo de bens móveis e integrados e edifícios remanescentes da antiga Fábrica Unilabor para que não apenas a comunidade possa praticar sua fé, mas também fomentar o convívio livre e a liberdade crítica nas ações cotidianas, mas sobretudo para que, na medida do possível, com este tombamento seja possível também resgatar o que este bem representa como perspectiva de país”.
Um templo ligado a uma fábrica A Capela do Cristo Operário foi construída a partir da adaptação de um antigo armazém industrial.
Ao espaço foram acrescentados elementos como marquise, empena, torre sineira, presbitério, capela-mor e sacristia.
A capela é apontada como o primeiro passo da modernidade na arte e na arquitetura religiosa brasileira.
O conjunto reúne elementos ligados à fé, ao trabalho e à produção artística de vanguarda.
O espaço nasceu ligado à Unilabor, fábrica autogestionária de móveis criada nos anos 1950 por iniciativa do frei dominicano João Batista.
O empreendimento reunia operários em torno de um modelo de produção mais igualitário e associava o trabalho fabril ao design moderno.
Os pareceres técnicos que embasaram o processo descrevem a experiência como um ponto de conciliação entre os planos social, político, religioso e artístico de uma mesma geração.
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