Gonet não assina parecer em nova frente do caso Master
Envolto nos desdobramentos do caso Master, o procurador-geral da República, Paulo Gustavo Gonet Branco - que afirmou ter "saudades" de Daniel Vorcaro e chamou o banqueiro de "máquina" - não assinou, nesta sexta-feira, 10, parecer do Ministério Público Federal que pede ao Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubada integral do sigilo da Operação Compliance Zero. A manifestação, de apenas duas páginas e endereçada à presidência da Corte, foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho.
A ausência de Gonet alimenta rumores de que o procurador-geral poderá não participar do julgamento na próxima terça-feira, 15, quando o plenário do Supremo irá decidir o futuro de Alexandre de Moraes na Corte.
O ministro está sob suspeita no caso, a partir do contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório de advocacia de sua família, o Barci de Moraes, com o Banco Master. O próprio Moraes revisou e retocou a versão final do documento ao menos duas vezes.
Oficialmente, o Ministério Público Federal nega que Gonet irá se declarar suspeito para atuar no julgamento e afirma que o procurador-geral - citado no relatório da Polícia Federal que recuperou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes -, estará no plenário. Procuradores ouvidos pelo Estadão garantem que Gonet ocupará, na sessão, a cadeira reservada ao Ministério Público, à direita do presidente do STF, Edson Fachin.
Na quarta-feira, 9, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu que Paulo Gonet seja substituído por outro integrante do Ministério Público na ação sobre as mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A entidade pontua que o próprio Edson Fachin pediu a Gonet que prestasse "esclarecimentos acerca dos fatos, inclusive quanto às medidas adotadas no exercício do controle externo da atividade policial".
Segundo relatório da Polícia Federal, Vorcaro conversou com Moraes sobre meios de barrar a Operação Compliance Zero contra ele. Em um diálogo, o banqueiro teria questionado o ministro se não seria possível "reverter isso com Paulo ou Andrei?". De acordo com os investigadores, Paulo é uma referência ao procurador-geral da República.
O relatório aponta ainda que Gonet conversou por telefone e trocou mensagens com Vorcaro. Os contatos foram intermediados pelo advogado Ciro Soares, emissário nas conversas entre o banqueiro e o procurador.
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