Violência contra Guarani Kaiowá se intensifica após eleições, diz organização
A violência contra os Guarani Kaiowá voltou ao centro das denúncias no Mato Grosso do Sul após o segundo turno das eleições presidenciais.
Desde sábado (24/10), comunidades indígenas relataram assassinatos, tentativas de homicídio, intimidações e ameaças de envenenamento da água.
Na manhã desta quinta-feira (29/10), a organização Kuñangue Aty Guasu denunciou o incêndio, segundo eles, criminoso da casa de uma rezadeira de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru.
Conhecida como ñandesy Roberta, a anciã perdeu a residência e instrumentos sagrados utilizados nos rituais tradicionais do povo Guarani Kaiowá , segundo a entidade.
Entre os objetos destruídos estão takua, xiru, mbaraka e mimby.
A organização afirma que Roberta sofre perseguições, racismo e intolerância religiosa por exercer seu papel de rezadeira e defensora da cultura indígena.
Leia mais: Violência assola comunidades indígenas PF investiga incêndio em escola indígena Funai destina verba para territórios indígenas Em publicação nas redes sociais, a Kuñangue Aty Guasu relacionou o episódio ao ambiente de ameaças vivido pela comunidade, que também denunciou o risco de envenenamento da água após o resultado eleitoral.
A entidade afirmou que outras casas sagradas já foram destruídas pelo fogo em territórios indígenas e cobrou investigação e responsabilização dos envolvidos.
Assista: Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por kun?angue Aty Guasu (@kunangueatyguasu) Os relatos de violência se estendem a outros municípios do estado.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas registrados desde sábado estão sob investigação.
Entre as ocorrências denunciadas também estão um atropelamento proposital em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e intimidações contra moradores de territórios indígenas.
O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Benno Rempel, relatou que indígenas sofreram intimidações durante o período eleitoral.
Segundo ele, caminhonetes circulavam pelos territórios e moradores foram agredidos em tentativas de provocar medo e impedir a participação na votação.
Rempel, no entanto, ressalta que a violência não se limita ao período eleitoral.
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