Foragido, ex-secretário de governo sumiu do trabalho 18 dias antes da operação
Investigado no âmbito da Operação Auditus por integrar um esquema de corrupção, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro no setor da saúde, o ex-secretário municipal de governo de Nioaque, Vagner Alves Ribeiro Guimarães, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
No entanto, 18 dias antes de se tornar alvo da ordem judicial, o servidor faltou sem justificativa ao trabalho em outra prefeitura da região e acabou exonerado.
Conforme registros do Diário Oficial da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Vagner ocupava o cargo comissionado de assessor governamental na Secretaria Municipal de Governo e Gestão Estratégica da Prefeitura de Jardim.
Na portaria assinada pelo prefeito Juliano da Cunha Miranda (Guga), o município determinou o desconto em seus vencimentos por faltar ao serviço de forma não justificada entre os dias 27 e 31 de julho de 2026.
No dia seguinte às ausências, em 1º de agosto de 2026, ele foi oficialmente exonerado do cargo comissionado.
A reportagem falou com Vagner por aplicativo de mensagem, mas ele não deu detalhes sobre onde estaria nem sobre a razão de ter sido exonerado e não apresentou contato de seu advogado.
Ele se limitou a perguntar se a busca por informações seria para uma matéria e, após a resposta positiva, não disse mais nada.
Fraudes - As investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual, por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), apontam que Vagner Guimarães atuava diretamente no direcionamento de processos licitatórios na área da saúde em favor da empresa Prontomed Clínica Médica desde 2022, quando era secretário de governo em Nioaque.
Segundo a decisão, em apurações referentes a um contrato de 2022, Vagner encaminhou uma planilha contendo exatamente os valores que deveriam ser adotados na cotação de preços, 14 dias antes da assinatura do contrato.
A análise técnica comprovou que os valores eram idênticos e serviram para manipular a pesquisa de preços e simular concorrência.
O mesmo padrão repetiu-se em pregão no ano seguinte.
Dados interceptados revelaram conversas nas quais Vagner informava a ex-secretária de Saúde do município, Márcia Cristiane Missioneira Jara, sobre os trâmites e solicitava o envio da minuta do edital (antes da publicação oficial) para a proprietária da Prontomed, Bianca Aguilar, a fim de verificar se o documento estava de acordo com o combinado para garantir a vitória da empresa.
Ainda de acordo com os relatórios técnicos encartados na decisão, Vagner assegurou aos empresários investigados que monitoraria a retirada do edital e garantiu que não haveria empresas concorrentes no certame.
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