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Justiça nega novo recurso e mantém obra de asfalto parada nas Moreninhas

Campo Grande News ·
Justiça nega novo recurso e mantém obra de asfalto parada nas Moreninhas

A Justiça rejeitou novo recurso da Prefeitura de Campo Grande e manteve decisão para paralisar as obras de pavimentação e drenagem na região das Moreninhas e do Rita Vieira.

A decisão da 1ª Câmara Cível do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), divulgada nesta sexta-feira (14), reitera que a intervenção coloca em risco os córregos e nascentes na região.

Segundo a ação civil pública do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), as obras de prolongamento da Avenida Alto da Serra até a Avenida Rita Vieira, que permitiriam um novo acesso às Moreninhas, atravessando os bairros Rouxinóis, Concórdia e Jardim das Perdizes, impactariam os córregos Poção e Lajeado e a nascente P10-LAJ.

A ação aponta, ainda, que as obras tiveram início antes da emissão de licença prévia e sem a devida licença de instalação e que os estudos técnicos apresentados pela Prefeitura eram insuficientes, já que não detalharam adequadamente as APPs (Áreas de Preservação Permanente) existentes no local e ignoraram a existência da nascente P10-LAJ.

Foi constatada também degradação ambiental decorrente das obras iniciadas, como erosão, movimentação do solo, aterramento com canalização do Córrego Poção e retirada de vegetação nativa no local.

O MPMS argumenta que a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) justificou a escolha do trecho apenas por razões técnicas e econômicas, sem apresentar comprovação da inviabilidade de outras opções, o que, segundo a Promotoria, viola a legislação ambiental.

Para tentar derrubar a decisão liminar que paralisou as obras, o Município ingressou com recurso, pedindo decisão emergencial que retomasse as obras até o julgamento da ação, que foi negada pela Corte.

Novo recurso foi feito contra a decisão de segunda instância, novamente rejeitado.

Com a decisão inicial mantida integralmente, o município segue proibido de realizar novas obras ou movimentações de terra no local sem as devidas licenças ambientais.

Caso a ordem de paralisação seja descumprida, a Prefeitura continuará sujeita ao pagamento de multa diária fixada em R$ 10 mil, com limite acumulado de até R$ 500 mil.

A decisão também confirma o prazo de 60 dias para que a administração municipal apresente à Justiça estudos técnicos aprovados com a delimitação exata das áreas protegidas e a análise de alternativas menos nocivas ao meio ambiente.

Dentro desse mesmo período de dois meses, a prefeitura terá de entregar um Plano de Recuperação de Área Degradada e Alterada focado na restauração da nascente e dos trechos dos córregos afetados.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura, mas não obteve resposta até o fechamento da notícia.

O espaço segue aberto para posicionamento.

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