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Regina, Gabriela e a vergonha alheia

UOL Notícias ·
Regina, Gabriela e a vergonha alheia

É publicitária, escritora e produtora de conteúdo. Autora de "E Se Eu Parasse de Comprar? O Ano Que Fiquei Fora da Moda". Escreve sobre moda, consumo consciente e maternidade

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Vergonha alheia. Um dos meus sentimentos preferidos pela sua paradoxalidade. Sentir vergonha pelas ações de outrem é uma espécie de empatia antipática. Ao sentir vergonha alheia nos colocamos ao mesmo tempo, no lugar do julgador e do julgado, ridicularizamos e somos ridicularizados, incongruência fascinante que nos faz sentir um misto de emoções igualmente contraditórias nos faz sentir um misto de emoções igualmente contraditórias, uma dor prazerosa, ou prazer dolorido.

Busco e evito na mesma medida situações que sei que me causarão esse constrangimento alheio. A título de exemplo, confesso que tenho uma grande resistência a apresentações de stand up comedy, aquelas em que um comediante —muito corajosamente diga-se de passagem— sobe ao palco e ali conta histórias na tentativa de fazer a plateia rir da plateia. E eu, que não caio na gargalhada com facilidade, fico ali sentada em cima do meu incômodo diante daquela tentativa que não se cumpre.

Por outro lado, cultivo um vício em assistir a programas de televisão — "Casamento às Cegas" , estou falando de você— em que, do conforto do meu sofá, me delicio dolorosamente com as atuações de boa parte dos participantes.

Você provavelmente terá seus próprios gatilhos de vergonha alheia. Talvez uma dança específica lhe desperte constrangimento, talvez um certo discurso político, talvez uma maneira de se vestir que lhe pareça absurda.

A vergonha alheia é antes de mais nada um fenômeno individual, despertado não pelo outro, mas pelos gostos e traumas de quem o sente. Porém, vez ou outra, algo acontece que quebra a barreira do indivíduo e provoca uma reação de constrangimento alheio coletivo.

Quando Emmanuel Macron , presidente da França , foi visto dentro da aeronave oficial, recebendo um tapão na cara de sua esposa, Brigitte Macron, não houve quem não perdesse o fôlego diante do constrangimento alheio.

Pois bem, essa semana, vimos o fenômeno se repetir diante da dolorosamente brilhante entrevista dada por Regina Duarte e Gabriela Duarte à Folha. diante da dolorosamente brilhante entrevista dada por Regina Duarte e Gabriela Duarte à Folha .

Não é a primeira vez que Regina nos presenteia com uma catarse coletiva de constrangimento. Lembremos de sua dança à beira da piscina numa visita ao "Castelo de Caras" ou do fatídico "pum do palhaço" em seu discurso de posse como secretária especial da Cultura —o prenúncio do que sentiríamos por sua atuação no governo.

Mas o vídeo da entrevista, cujos cortes se espalharam como fogo em mata seca pelas redes sociais, parece ter ido ainda mais longe do que os "micos" anteriores da atriz. E a explicação para tamanha viralização é simples: todos nós já estivemos ali.

Em cena, uma mãe e uma filha são questionadas sobre assuntos diversos, sobre o passado, sobre carreira, sobre crenças, sobre política.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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