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Brasil

Doação de órgãos começa com conversa em família, diz chefe da Unidade de Transplantes do HU-UFMA

Por Redação 5News · · com informações de G1 Maranhão
Doação de órgãos começa com conversa em família, diz chefe da Unidade de Transplantes do HU-UFMA

A Importância do Diálogo Familiar para Viabilizar a Doação de Órgãos

A vida pode continuar mesmo quando ela chega ao fim. Essa é a essência da doação de órgãos, um gesto que transforma o luto de uma perda em esperança para quem aguarda por um transplante. Mas para que esse processo ocorra de forma bem-sucedida, é necessário que um passo fundamental seja dado ainda enquanto a vida segue seu curso: a conversa franca entre o possível doador e seus familiares sobre essa vontade.

Esse alerta vem de quem trabalha diariamente com a realidade dos transplantes no Maranhão. Polianna Bortolon, que coordena a Unidade de Transplantes do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, reforça que expressar o desejo de ser doador enquanto se tem saúde pode fazer toda a diferença no momento em que a família precisa tomar uma decisão tão delicada. Segundo ela, quando o assunto foi discutido previamente e os parentes entendem como funciona todo o procedimento, a autorização tende a ocorrer com menos dúvidas e sofrimento.

O tema ganha ainda mais relevância por causa da proximidade do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado no dia 27 de setembro. A data serve como oportunidade para que instituições de saúde e organizações conscientizem a população sobre essa prática e esclareçam os processos envolvidos, desde a identificação de um potencial doador até o encaminhamento dos órgãos para os receptores.

O Cenário de Transplantes no Maranhão

Os números revelam a importância da doação para salvar e melhorar vidas no estado. De acordo com informações da Central Estadual de Transplantes do Maranhão, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, foram realizados 657 procedimentos de transplante ao longo de 2025. Esse volume considerável representa a diferença entre esperar por uma vaga e receber uma segunda chance de viver com melhor qualidade.

A distribuição desses transplantes reflete as necessidades e possibilidades do sistema de saúde maranhense. A maioria foi de córneas, totalizando 525 procedimentos, seguida por transplantes de rins, que somaram 95 casos. O transplante de fígado foi realizado em 32 oportunidades, enquanto houve um único procedimento de transplante de coração. Ainda foram realizados quatro transplantes de medula óssea, incluindo essa modalidade como parte importante do cenário de transplantologia no estado.

Esses números demonstram que, apesar dos desafios logísticos e técnicos envolvidos, o sistema de transplantes no Maranhão consegue realizar uma quantidade significativa de procedimentos. Porém, especialistas ressaltam que ainda existe margem para crescimento, e isso depende bastante da disposição das famílias em autorizar a doação quando se deparam com essa situação.

Como Funciona a Doação no Brasil

No contexto brasileiro, a doação de órgãos por pessoas que faleceram opera sob um princípio fundamental: ela depende do consentimento da família. Diferentemente de alguns países que adotam o sistema de consentimento presumido, onde todos são considerados doadores a menos que registrem uma objeção, aqui é necessário que os parentes autorizam a retirada dos órgãos e tecidos.

Essa estrutura legal coloca a família no centro do processo de decisão, o que significa que a comunicação prévia sobre a vontade do indivíduo assume papel central. Quando alguém deixa clara essa intenção ainda em vida, os familiares tendem a honrar esse desejo no momento difícil em que a morte se aproxima. Por isso, profissionais de saúde especializados destacam que informar a família sobre a vontade de ser doador não é apenas uma questão pessoal, mas um passo estratégico para aumentar as chances de que a doação realmente ocorra quando necessário.

O Papel da Conversa Prévia e do Entendimento

Polianna Bortolon enfatiza que quando há diálogo anterior e os membros da família conseguem compreender adequadamente como funciona o processo de doação de órgãos e tecidos, a tomada de decisão tende a ser mais tranquila e fundamentada. A falta desse diálogo pode resultar em hesitações e dúvidas no momento crítico.

A especialista aponta que as estratégias mais eficazes para aumentar as taxas de consentimento para doação passam por dois pilares: informação de qualidade e acolhimento. Oferecendo essas duas coisas, as famílias recebem não apenas conhecimento técnico sobre o processo, mas também se sentem apoiadas emocionalmente durante uma situação de crise.

Uma conversa fundamentada em amor, respeito e transparência é descrita como a porta para que o desejo de ser doador seja respeitado no futuro. Essa abordagem reconhece que não se trata apenas de um procedimento médico, mas de uma decisão profundamente conectada aos valores familiares e à vontade individual.

Dúvidas Frequentes das Famílias

Quando a questão da doação é apresentada às famílias, surgem questionamentos específicos que refletem preocupações legítimas. Uma das principais dúvidas diz respeito à segurança do diagnóstico de morte encefálica. As famílias querem ter certeza de que o diagnóstico foi feito corretamente e que não existe margem para erro que pudesse colocar a vida em risco.

Outra preocupação comum está relacionada ao procedimento cirúrgico de retirada dos órgãos. As pessoas desejam saber como é realizada essa cirurgia, quais são os cuidados éticos envolvidos e se o corpo do doador é tratado com respeito durante e após o procedimento. Questões sobre possíveis alterações no corpo do doador também geram ansiedade entre os parentes.

Os custos relacionados à doação representam outra linha de questionamento frequente. As famílias desejam clareza sobre quem arca com as despesas de todo o processo. Além disso, surge a dúvida sobre a possibilidade de a família conhecer as pessoas que receberam os órgãos e tecidos doados. Essa questão reflete um desejo natural de entender o impacto positivo da doação e de honrar a memória do doador vendo como seu gesto beneficiou outros.

Obstáculos à Doação: Desinformação e Incerteza

Um fator importante que contribui para que famílias não autorizem a doação é o desconhecimento sobre a vontade real do possível doador. Quando não há clareza prévia sobre se a pessoa desejava ou não ser doadora, os parentes enfrentam dificuldade em tomar uma decisão. Somando-se a isso, o entendimento inadequado sobre as diferentes etapas do procedimento de doação pode gerar resistência e receios infundados.

A circulação de informações falsas sobre doação de órgãos também representa um obstáculo significativo. Mitos e boatos sobre o tema, quando chegam às famílias no momento de uma crise, podem prejudicar a capacidade de tomar uma decisão informada e baseada em fatos. Essas falsas informações frequentemente alimentam medos desnecessários sobre o processo.

Considerando todos esses fatores, profissionais como Polianna Bortolon defendem que a solução passa por ampliar o alcance da informação verídica e humanizada sobre doação. Quando as pessoas entendem que se trata de um gesto de generosidade que permite que a morte de alguém contribua para salvar vidas, a percepção sobre o assunto tende a mudar positivamente.

O que Acompanhar

A aproximação do Dia Nacional da Doação de Órgãos, em 27 de setembro, deve servir como ponto de partida para que a população maranhense reflita sobre o tema. Será importante observar as iniciativas de conscientização que hospitais e órgãos de saúde do estado deverão promover nesse período. Também se destaca a possibilidade de que esses esforços resultem em aumento no número de pessoas que expressam sua vontade de serem doadoras e que conversam com suas famílias sobre isso. O impacto dessas campanhas deve ser acompanhado através da evolução dos números de doações e transplantes no estado nos meses seguintes a setembro, refletindo se houve maior disposição das famílias em autorizar doações quando a oportunidade surge.

Principais pontos:

• Polianna Bortolon, chefe da Unidade de Transplantes do HU-UFMA, ressalta que conversar com a família sobre o desejo de ser doador ainda em vida é fundamental para aumentar as chances de que a doação ocorra no momento da morte.

• O Maranhão realizou 657 transplantes em 2025, sendo 525 de córneas, 95 de rins, 32 de fígado, um de coração e quatro de medula óssea, conforme dados da Central Estadual de Transplantes.

• No Brasil, a doação de órgãos por pessoas falecidas depende da autorização da família, diferentemente de sistemas em outros países, o que torna o diálogo prévio ainda mais importante.

• Dúvidas sobre diagnóstico de morte encefálica, procedimento cirúrgico, custos, alterações no corpo e possibilidade de contato com receptores são questões frequentes das famílias que precisam decidir sobre doação.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 Maranhão — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Maranhão.

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