Oposição acusa órgão do Santos de descumprir acordo por Estatuto: 'Golpe'
A discussão sobre o novo Estatuto do Santos voltou a esquentar os bastidores da Vila Belmiro. Um grupo de conselheiros e os candidatos à presidência questionam a forma como a Mesa do Conselho Deliberativo (CD), presidida por Fernando Akaoui, está conduzindo a reta final de aprovação do documento.
O descontentamento aumentou depois que a secretaria do Conselho enviou um e-mail aos sócios, nesta quinta-feira (22), apresentando o texto do Estatuto como concluído e marcando para o dia 8 de novembro a Assembleia Geral que votará a mudança do regimento interno do clube.
Entre as principais alterações em jogo está a permissão para aumentar o limite da venda de uma futura SAF do Santos, passando de 49% para 80%. O Peixe tem conversas em andamento com a empresa norte-americana SDC Sports para vender a sua SAF.
De acordo com a ata da reunião do dia 18 de maio de 2026, à qual o UOL teve acesso, Akaoui se comprometeu a ler todas as mudanças (inclusive dos artigos sem emendas) antes da aprovação final. Esse posicionamento ocorreu após o conselheiro José Augusto Faia Conrado cobrar o cumprimento dessa etapa.
Naquela sessão, conforme o documento, Faia fez uma questão de ordem para justificar seu voto contrário à votação em bloco dos artigos que não tinham recebido emendas. Ele alegou que, sem a leitura prévia do texto, os conselheiros ficariam no escuro, descumprindo o compromisso firmado pela presidência de ler cada artigo antes da votação.
Faia argumentou que mudar a regra para aprovar em bloco, sem leitura, impedia o Conselho de identificar possíveis alterações ou erros de redação, já que qualquer modificação no texto final, por menor que fosse, passaria sem o conhecimento do plenário. Por isso, defendeu o cumprimento do que foi combinado: a leitura completa de todos os artigos antes da aprovação.
Logo em seguida, o presidente do Conselho Deliberativo, em resposta, concordou com a leitura.
Por isso, na avaliação desse grupo de conselheiros, o comunicado enviado aos sócios foi precipitado, pois a proposta final ainda não passou pela apreciação, tampouco pela votação da redação definitiva dentro do Conselho.
As propostas para as mundanças do estatuto foram apresentadas em diversos encontros do órgão. Em alguns deles, inclusive, houve protestos de torcedores na frente da Vila Belmiro.
Em contato com o UOL , os candidatos à presidência do clube, Ivan Luduvice, José Renato Quaresma e Maurício Maruca afirmaram que também estão se movimentando. Maruca, por meio de suas redes sociais, classificou a convocação da Assembleia Geral como "golpe". Wladimir Mattos não se manifestou até a publicação da reportagem.
O Santos foi procurado e questionado, por meio de sua assessoria de imprensa, sobre os motivos para não realizar a leitura de todas as mudanças no Estatuto, conforme confirmado por Akaoui na reunião do dia 18 de maio, mas não se posicionou até o momento.
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