Corrida de obstáculos para os biossensores portáteis
A pandemia de Covid-19 desencadeou uma corrida entre pesquisadores do mundo inteiro pelo desenvolvimento de novos métodos para detectar o vírus Sars-CoV-2, causador da doença.
O objetivo era criar soluções tão baratas e rápidas quanto os testes vendidos em farmácias, mas com a mesma sensibilidade do melhor exame laboratorial então disponível.
Dezenas de dispositivos portáteis de baixo custo capazes de detectar o vírus em poucos minutos, mesmo em baixas concentrações, foram descritos em artigos científicos e divulgados à imprensa.
A maioria, entretanto, não chegou ao mercado.
Transformar protótipos em produtos comerciais continua sendo o principal desafio dos pesquisadores que desenvolvem biossensores portáteis ou vestíveis.
Além de identificar rapidamente infecções por vírus e bactérias, esses dispositivos prometem facilitar o diagnóstico e o acompanhamento de uma série de doenças, substituindo, em algumas aplicações, exames de sangue por análises rápidas de lágrimas, saliva ou suor.
Também poderiam permitir diagnósticos mais precoces e tratamentos personalizados.
“Fazer a transferência do que funciona na bancada para o mundo real é, muitas vezes, um passo muito desafiador para os pesquisadores, mas sinto que a comunidade acadêmica está seguindo nessa direção”, avalia a física Laís Brazaca, do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP).
Ela é a primeira autora de um artigo de revisão sobre sensores vestíveis para saúde, publicado em junho na revista ACS Applied Materials & Interfaces .
Brazaca lidera um projeto financiado pela FAPESP cuja meta é desenvolver biossensores vestíveis para monitorar proteínas no suor associadas a doenças.
A maioria dos aparelhos que funcionam colados à pele detecta no suor apenas eletrólitos (íons de sódio, cloro e outros) e metabólitos (pequenas moléculas, como glicose e lactato).
“Minha ideia é desenvolver dispositivos que coletem e analisem moléculas maiores, como proteínas”, diz.
O sangue transporta uma grande variedade dessas moléculas, mas apenas algumas conseguem atravessar os vasos sanguíneos e chegar ao suor.
Entre elas estão a clusterina e a dermicidina.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.