Dessalinização e hidroponia como estratégia de resiliência alimentar
Durante muito tempo, a capacidade agrícola de um país esteve diretamente associada à quantidade de terra fértil e de água doce disponível em seu território.
As novas tecnologias agrícolas começam a alterar essa relação.
Para países pequenos, insulares, costeiros ou marcados por escassez hídrica, a combinação entre dessalinização da água do mar e produção hidropônica abre uma possibilidade particularmente interessante: produzir alimentos utilizando muito menos solo agrícola e, em sistemas bem projetados, muito menos água doce convencional.
A hidroponia permite cultivar sem solo, fornecendo água e nutrientes diretamente às plantas.
Segundo a FAO, é uma tecnologia especialmente útil onde há pouca terra arável ou solos de baixa qualidade e, dependendo do sistema e da cultura, pode utilizar até cerca de 90% menos água do que determinados sistemas convencionais.
Em circuitos fechados, parte importante da solução nutritiva é recirculada, reduzindo perdas de água e fertilizantes.
Há, entretanto, uma distinção importante.
A hidroponia por si só não cria terreno novo.
O salto de produtividade espacial torna-se ainda maior quando ela é combinada a estufas de alta produtividade, cultivo vertical ou estruturas multicamadas.
É essa agricultura controlada que permite produzir volumes elevados de hortaliças, ervas, tomates e outros alimentos de alto valor em superfícies relativamente pequenas.
Para pequenos Estados, isso significa que a limitação territorial deixa de ser um impedimento absoluto para determinada produção agrícola.
É aqui que a dessalinização ganha relevância estratégica.
Um país costeiro pode converter um recurso praticamente ilimitado em sua fronteira, a água do mar, em uma fonte previsível de água para produção.
Em vez de fazer a agricultura competir permanentemente com cidades, turismo e indústria por aquíferos e reservatórios de água doce, parte da produção pode ser abastecida por uma fonte hídrica independente da chuva.
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