Com vasto catálogo de arranjos, maestro de Itararé também foi compositor e tem canção 'perdida' com Vinícius de Moraes
Maestro de Itararé também foi compositor e tem canção 'perdida' com Vinícius de Moraes Apesar da distância de quase 20 mil quilômetros, Brasil e China possuem laços fortes quando se trata de comércio.
Entretanto, quando tamanha parceria econômica ainda não era sequer desenvolvida diplomaticamente, os dois países já "flertavam" por meio de uma linguagem universal: a arte.
Foi em 1956 que a Ópera de Pequim, capital da China, desembarcou no Rio de Janeiro.
A passagem do grupo, que apresentou o jingju - termo utilizado para se referir ao teatro clássico chinês - pela primeira vez no Brasil, foi marcada pela alta procura do público, ampla repercussão na imprensa e, inclusive, por alegações de “infiltração comunista” feitas por jornais da época. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Lindolfo Gomes Gaya nasceu em 6 de maio de 1921, em Itararé (SP).
Maestro e compositor, é considerado um dos maiores arranjadores da música brasileira, com carreira que também se estendeu ao exterior.
Ele atuou em diferentes gêneros, como bossa nova, samba, MPB e jazz.
Na trajetória do artista, a passagem dos chineses teve um significado mais do que especial na carreira.
Considerado uma das mentes mais brilhantes por trás dos arranjos de canções de grandes artistas da MPB, o músico chegou a conhecer e trabalhar com Vinícius de Moraes durante a estadia da ópera no país.
Murilo Prado Cleto, historiador e autor de um futuro livro sobre a carreira musical de Gaya, contou ao g1 que o maestro foi o responsável pela tentativa de quebrar as barreiras culturais que, devido à falta de conexão tecnológica, ainda existiam à época.
"A companhia nunca tinha vindo à América.
Hoje em dia, existe um lance de tudo ser muito conectável e, consequentemente, mais fácil de traduzir.
Naquela época, existiam muitas barreiras culturais e era necessário alguém para fazer 'a ponte' desse grupo com o lugar que ele está chegando.
Quando a ópera chegou, alguém foi atrás dele e da esposa na casa deles, no Rio, para fazer um trabalho junto aos chineses", conta.
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