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Eleição presidencial no Brasil se tornou um 'duelo de rejeições', diz cientista político

RFI Brasil ·
Eleição presidencial no Brasil se tornou um 'duelo de rejeições', diz cientista político

RFI Convida Eleição presidencial no Brasil se tornou um 'duelo de rejeições', diz cientista político Publicado em: 16/09/2026 - 20:56

Ouvir - 05:57 As eleições de 4 de outubro no Brasil serão acompanhadas não apenas como uma disputa pelo comando do país, mas também como um importante termômetro da relação dos brasileiros com os partidos políticos, as instituições e a própria democracia. Em um ambiente marcado pela polarização e pela desconfiança em relação ao sistema político, o comportamento do eleitorado poderá indicar os rumos da política nacional nos próximos anos.

Em entrevista à RFI , o cientista político Carlos Ranulfo Félix de Mello, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que o pleito atual apresenta características singulares. Segundo ele, os dois candidatos que lideram as pesquisas carregam índices elevados de rejeição.

"É um duelo de rejeições", resume o professor. "Tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro têm rejeição acima de 50%. Isso por si só é complicado porque, ganhe quem ganhar, a outra metade do país estará insatisfeita."

Na avaliação de Ranulfo, o Brasil permanece preso à polarização iniciada em 2018. "O país está cristalizado numa disputa que se inicia em 2018 e vai até hoje. Isso não é bom. Quem assumir continuará governando em meio a uma guerra política na qual a verdade acaba ficando de lado", afirma.

O cientista político também vê no crescimento recente de candidatos fora do eixo petismo-bolsonarismo um sintoma do desgaste dessa polarização. Segundo ele, parte do eleitorado demonstra estar em busca de uma alternativa às duas correntes que dominam a cena política brasileira há mais de uma década.

"Vemos um súbito crescimento de um outsider. Nas pesquisas, um escritor de autoajuda [Augusto Cury, candidato pelo partido Avante] tem se destacado", diz. "Mas o negócio dele é autoajuda, ele não entende absolutamente nada de eleições, de política ou de governo, mas está subindo na preferência do eleitorado", completa. "Ele começou a subir feito foguete porque as pessoas estão procurando uma alternativa ao petismo ou bolsonarismo", conclui.

Questionado sobre a capacidade do Partido dos Trabalhadores (PT) de construir novas lideranças além de Lula, Ranulfo avalia que o partido enfrenta dificuldades para promover uma renovação interna.

"O Lula tem claramente uma fadiga de material. Ser presidente quatro vezes facilita o discurso de quem defende uma mudança", afirma. Segundo ele, embora novas lideranças tenham surgido, "a força do Lula é tão grande que não há espaço para lideranças novas".

Do outro lado do espectro político, o pesquisador observa que a derrota de Bolsonaro em 2022 não enfraqueceu seu movimento político.

"O bolsonarismo hoje é uma força muito enraizada no Brasil", avalia. Para ele, um eventual enfraquecimento desse campo político dependerá do desempenho eleitoral de seus principais representantes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.

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