Ed Sheeran enfrenta cancelamento nas redes e debandada de artistas em sua turnê por não apoiar rapper pró-Palestina
O escândalo, que começou no início deste mês, ganha um novo capítulo a cada dia, com o envolvimento de um número cada vez maior de artistas. Após ser descartado da turnê do cantor britânico Ed Sheeran nos Estados Unidos devido a um protesto pró-Palestina, o rapper americano Macklemore vem recebendo o apoio de dezenas de bandas e artistas. Paralelamente, o autor de “Shape of You” enfrenta uma debandada em seu circuito de shows e vem sendo alvo de ataques nas redes sociais por não se posicionar sobre a guerra na Faixa de Gaza. "Silêncio é cumplicidade", afirmam posts compartilhados por celebridades.
Célebre defensor da causa palestina e crítico do governo israelense, Macklemore exibiu imagens da população da Faixa de Gaza e pronunciou um discurso antiguerra em suas apresentações na abertura da turnê "Loop Tour" de Ed Sheeran, no início deste mês, no MetLife Stadium, perto de Nova York. A performance irritou a cantora americana Pink, que acusou o rapper de antissemitismo e inflamou a opinião da comunidade judaica americana nas redes sociais.
Dias depois, Macklemore revelaria que Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium de Boston, que acolheria um dos eventos da turnê de Sheeran, havia proibido que o rapper se apresentasse no local. O influente empresário ainda teria convencido outros estádios a fazerem o mesmo, acusando Macklemore de difundir uma “retórica e um imaginário antissemita".
"Não sou um cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre este conflito devastador", escreveu, evocando "sofrimento e dor em ambos os lados". No entanto, Sheeran explica que prefere não se pronunciar sobre a guerra por ter fãs, muitos deles muito jovens, de todas as origens, "que vão a meus shows sem esperar debates políticos". "Há espaço para múltiplas abordagens com a mesma finalidade: a paz", reitera o artista em uma linguagem consensual.
Poucos minutos após a publicação, Ed Sheeran passou a ser o centro da controvérsia. Artistas e grupos do mundo inteiro questionaram a falta de posicionamento do músico britânico, que também se absteve de defender Macklemore, um amigo de longa data.
"Neutralidade diante do massacre de mais de 20 mil crianças nunca será neutralidade", publicou o grupo de trip hop Massive Attack em suas redes sociais. "Nenhum artista deveria tolerar a censura de outros, independentemente de quantos milhões de dólares estiverem em jogo", reitera a banda britânica.
Outra grande celebridade a criticar o comportamento de Sheeran foi o britânico Roger Waters, da mítica banda Pink Floyd. "Existem dois tipos de pessoas neste mundo, Ed. Existem as pessoas que fazem a coisa certa. Aquele rapper, Macklemore, seria uma delas", diz. "E existem as pessoas — muitas delas, infelizmente, canalhas como você, que fazem a coisa errada", reiterou.
Políticos, como a parlamentar americana Alexandra Ocasio-Cortez, e ativistas, como a ambientalista sueca Greta Thunberg, não demoraram a aderir aos protestos. "Ed, só há uma vítima aqui: o povo palestino", disse a jovem em uma publicação conjunta com o grupo Humanti Project em uma publicação no Instagram na noite de terça-feira.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.