Papangu abre portal para os anos 1970 no prog e ambicioso 'Celestial'
No começo da década de 2020, ninguém apostaria que uma das maiores revelações do rock brasileiro por vir seria uma banda capaz de combinar metal extremo com ritmos brasileiros e os aspectos mais cult do progressivo. Neste cenário, o Papangu se revelou um dos grupos mais interessantes a surgir no país ao longo dos últimos anos.
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Os dois primeiros álbuns da banda paraibana - Holoceno (2021), Lampião Rei (2024) - representam uma evolução com relação ao anterior e um refino da fórmula sonora, calcada numa mistura de ritmos nordestinos, metal e rock progressivo — em especial uma vertente europeia chamada zeuhl , inventada pelo conjunto francês Magma , que engloba elementos de jazz fusion e neoclássico. Entretanto, o que deveria ter sido uma celebração logo se tornou dor de cabeça.
Em 2024, após um show no Rio de Janeiro, os integrantes tiveram seu carro, equipamentos e itens de merchandise roubados à mão armada. R$ 50 mil de perdas. O fato de Celestial ser, talvez, o trabalho mais ambicioso e implacável do Papangu até hoje mostra a resiliência do grupo o compromisso de não ceder aos revezes da vida ou às pressões de mercado.
https://www.youtube.com/watch?v=ohk5YJ1r5m8&list=OLAK5uy_mSMXJJi6EfUia-UY46RHx_laeMK1lShrE
Quando uma banda associada a metal extremo faz algo assim, o som geralmente pende para algo mais pesado. Já no caso de Celestial , o Papangu se apoiou mais nos elementos mais "cabeça" do seu estilo.
As influências de forró, ciranda, Hermeto Pascoal e o álbum Paêbirú (1975), obra cult brasileira de Lula Côrtes e Zé Ramalho , coexistem com gigantes do progressivo King Crimson - especialmente o caos controlado da fase do disco Lark's Tongue in Aspic (1973) - e o já mencionado Magma.
Ainda assim, não quer dizer que o metal esteja ausente. Celestial é cheio de momentos nos quais marcas registradas da música pesada - bumbo duplo, blast beats e os vocais guturais de Hector Ruslan - fazem aparições pontuais. Na canção "Taxidermia" , tudo isso coagula para gerar a composição mais pesada já feita pela banda, com uma letra crítica à desigualdade social no Brasil, usando os coronéis do Nordeste como exemplo de opressão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.