Enquanto houver sol
Ela nasceu onde o mapa acaba.
O filho chora e a mãe não escuta.
Onde o IBGE não volta, mas a vida insiste.
Até no lixão nasce flor.
Sem mãe, que ficou na maternidade sem vida.
Sem pai, que se perdeu na garrafa de pinga e cerveja.
Com oito num quartinho só, e um colchão dividido em três.
Criança demais pra dor que carregou, numa noite onde um primo homem roubou dela o que não se devolve.
Mas a menina da quebrada não quebrou.
Deus escreve certo em linha torta.
E a linha dela virou equação.
Primeiro, campeã da viela.
Depois, da cidade.
Depois, do estado.
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