Putin conversa com líderes europeus no início de trégua humanitária local na Ucrânia
O presidente russo, Vladimir Putin, conversou nesta terça-feira (27) com líderes europeus pela primeira vez em um ano, coincidindo com o início de um cessar-fogo humanitário em uma cidade ucraniana ocupada por Moscou.
A trégua, anunciada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, parecia estar sendo respeitada na manhã desta terça-feira nos arredores de Oleshky, cidade do sul da Ucrânia que enfrenta escassez de suprimentos.
A iniciativa ocorre em meio a uma aproximação entre Donald Trump e a Rússia, marcada principalmente por um acordo para fornecer diesel russo aos Estados Unidos, apesar das sanções, o que provocou críticas de Kiev e de seus aliados europeus.
Nesse contexto, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, tiveram nesta terça-feira uma rara conversa com Vladimir Putin sobre a guerra na Ucrânia, informou Helsinque.
"Para pôr fim à guerra, são necessárias conversas diretas", declarou Stubb, que classificou a conversa como "substancial".
Os líderes nórdicos afirmaram que falaram em nome próprio e da Europa, o que foi criticado pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que lamentou que tenham agido "por conta própria".
Durante a conversa telefônica, Putin criticou duramente os países da União Europeia e da Otan, afirmando que sua "política de confronto" estava prolongando as "hostilidades" na guerra na Ucrânia, segundo um comunicado do Kremlin.
O líder russo também ressaltou que uma "paz justa e duradoura" só seria possível se os interesses de Moscou fossem levados "plenamente" em consideração. A Rússia exige principalmente a retirada das tropas ucranianas da região oriental de Donetsk, que reivindica como sua.
Segundo o Kremlin, os três líderes concordaram em manter o "contato direto por telefone".
Após conversar com o presidente russo, os líderes nórdicos, que estão entre os principais apoiadores da Ucrânia diante da invasão russa iniciada em 2022, telefonaram para o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou Kiev.
Zelensky afirmou ter recebido um relato detalhado da conversa e disse que seus aliados haviam instado Putin a adotar "medidas de desescalada" para pôr fim aos bombardeios russos contra a infraestrutura ucraniana.
Em Kiev, onde o alerta é praticamente permanente, os ataques russos da noite de segunda-feira (26) e da madrugada desta terça-feira mataram uma pessoa e danificaram instalações médicas, um prédio universitário e residências estudantis, segundo as autoridades locais.
A Ponte Sul, importante infraestrutura da capital que liga as duas margens do rio Dnieper, também foi danificada. Isso provocou seu fechamento, assim como o de várias estações de metrô que também foram atingidas, detalhou o prefeito Vitali Klitschko.
Imagens divulgadas pela imprensa mostram um enorme buraco nessa importante estrutura, que conecta as duas margens do rio Dnieper.
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