Líderes de Noruega e Finlândia rompem postura europeia e ligam para Putin
HELSINQUE, 27 Out (Reuters) - Os líderes da Finlândia e da Noruega ligaram nesta terça-feira para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para convencê-lo a pôr fim à guerra na Ucrânia, rompendo com uma prática de longa data entre os líderes da Europa Ocidental de evitar contato direto com o Kremlin.
A ligação telefônica do presidente finlandês Alexander Stubb e do primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Stoere foi uma tentativa de influenciar o processo diplomático em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, mudou sua posição a favor da Rússia. As relações dos EUA com a Ucrânia atingiram seu ponto mais baixo em 18 meses.
Os líderes nórdicos conversaram por telefone com Putin e, em seguida, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, segundo um assessor de Zelenskiy.
“A conversa (com Putin) foi franca e substantiva. Somos países vizinhos da Rússia. O desfecho desta guerra terá um impacto direto sobre nossa segurança e a segurança europeia em geral. Para pôr fim à guerra, são necessárias discussões diretas”, afirmou Stubb em uma declaração conjunta com Stoere.
O norueguês acrescentou: “A guerra acarreta enormes custos humanos e materiais. O sofrimento e a destruição afetarão gerações. Na conversa, enfatizamos a importância da redução da tensão.”
Ambos os líderes enfatizaram seu forte apoio à Ucrânia, que, segundo eles, continuará.
O comunicado do Kremlin sobre a ligação não sugeriu que Putin tivesse dado qualquer sinal de concessão em relação às posições anteriormente declaradas.
“Foi enfatizado que a conquista de uma paz justa e duradoura só é possível se os interesses legítimos da Federação Russa forem levados em conta de forma plena e incondicional”, afirmou o Kremlin.
“Ao mesmo tempo, chamou-se a atenção para as políticas de confronto dos países da UE e da Otan, que estão contribuindo para o prolongamento das hostilidades.”
Os líderes da Europa Ocidental têm, em sua maioria, evitado o contato com Putin, ao mesmo tempo em que acumulam sanções contra Moscou, desde que a Rússia iniciou a guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Mas essa postura os deixou à margem, já que os esforços para pôr fim à guerra têm sido liderados por Trump, que é visto em muitas capitais da União Europeia como imprevisível, errático e propenso a se aliar a Putin em detrimento da Ucrânia.
Essa percepção foi reforçada por acordos firmados neste mês, nos quais Putin concordou em fornecer diesel russo aos EUA e Trump flexibilizou as sanções contra a Rússia, ao mesmo tempo em que afirmou que era hora de os ucranianos substituírem Zelenskiy como líder.
A Ucrânia também reclamou da interrupção no compartilhamento de informações de inteligência pelos EUA e nos serviços de internet via satélite dos quais suas forças armadas dependem.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, criticou a decisão da Finlândia e da Noruega de dialogar com Putin, acrescentando que não via sinais de que a Rússia queira a paz.
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