Querem mudar o jeito de escolher o presidente, deputados, STFs e levar bandidos ao poder
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)
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As turmas do poder político pretendem mudar formas e modos de governo entre o final deste ano e o começo do próximo. Flávio Bolsonaro ( PL ) e cia. têm plano nebuloso de "mudar a Constituição para redemocratizar o país" . O centrão-direitão quer se defender do avanço da extrema direita e dos políticos digitais. Todos querem mexer no falido STF.
Tais mudanças serão discutidas em momento que pode ser de domínio da extrema direita no governo federal e de grande força no Congresso, com o que tal corrente pode vir a ser hegemônica no partidarizado STF. A extrema direita é composta também de grupos políticos associados ao crime organizado. De resto, a elite no poder foi comprada ou alugada pelo gângster e cafetão Daniel Vorcaro .
Caso eleito, Flávio Bolsonaro vai mandar ao Congresso projeto para estender seu mandato, não se sabe em quais termos. Diz que quer apenas abreviar sua estada no poder (sem reeleição). Flávio é mentiroso contumaz, sem escrúpulo. Faz qualquer negócio, de negar relação com Daniel Vorcaro a renegar seu ajuste fiscal . Pode tentar emplacar no Congresso pacote insidioso de captura do poder à maneira dos autocratas do século 21, de Hungria, Turquia ou Venezuela.
O centrão-direitão assustou-se com o sucesso da extrema direita e dos políticos digitais. Desde 2025, planeja emplacar o voto distrital misto para deputados. Metade deles seria escolhida em distritos (regiões de cada estado de eleitorado de tamanho similar); metade viria de listas de candidatos, a depender da votação de cada partido. Projeto assim foi aprovado em 2017 no Senado e lá ficou. É assunto para outro dia, mas se diga logo que tal sistema pode ser mutretado para favorecer correntes políticas, a depender de regras e distritos.
Em suma, pode haver enorme e rara virada no sistema político. Em geral, tais mudanças fracassam neste país dado a inércia, gradualismo inepto, acordão e transições transadas. Ou então há golpes.
Além de tudo, ano que vem será de crescimento baixo e de transições grandes, como a reforma tributária e o fim da 6x1, reformas que há quem queira abortar. O país estará pendendo entre ajuste fiscal complexo e conflitivo e estagnação ou tumulto econômicos.
No caso de confluência de tantas mudanças e dificuldades, é de se temer crise. Ou golpes e contragolpes.
Como se não bastasse, parte relevante da coalizão da extrema direita é aliada ou comparsa de grupos políticos associados ao crime organizado. Além de laços antigos com milicianos e matadores , o grupo político de Flávio Bolsonaro (PL) é ligado à turma de Cláudio Castro e de quem mandava no governo corrupto dele e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, PL e União Brasil. É gente associada ao Comando Vermelho , outros traficantes, "bets" mafiosas, milicianos, bicheiros, máfia de combustíveis e organizações empresariais criminosas diversas etc.
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