USDA aposta em satélites e IA em dados de safra para recuperar confiança dos agricultores
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) está lançando um projeto-piloto que contará mais fortemente com a tecnologia, como parte de um esforço mais amplo para aprimorar suas estimativas de área plantada e produtividade das safras americanas, afirmou a secretária Brooke Rollins nesta terça-feira (1), em um momento em que a agência enfrenta críticas crescentes de agricultores e comerciantes quanto à confiabilidade dos dados agrícolas do governo.
Rollins discutiu o plano de modernização de dados do USDA na Farm Progress Show, em Boone, Iowa, após uma série de audiências com agricultores e grupos agrícolas que durou um mês.
“Realizaremos um projeto-piloto para avaliar o uso de imagens de satélite aprimoradas, trabalhando com a Nasa e outras agências do governo federal em todo o país para descobrir como podemos tornar esses relatórios mais precisos”, disse Rollins durante a conferência agrícola.
De acordo com o plano, o projeto utilizará ferramentas geoespaciais e modelos de cultivo, juntamente com pesquisas com agricultores, para estimar a área plantada e a produtividade. O departamento também afirmou que explorará o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina.
As mudanças na coleta de dados têm como objetivo reduzir a quantidade de informações que o USDA solicita repetidamente aos agricultores, ao mesmo tempo em que melhoram a pontualidade e a precisão de suas estatísticas. O USDA afirmou que também fornecerá aos agricultores mais informações sobre suas metodologias, taxas de resposta às pesquisas e limitações em seus dados.
Grande parte das críticas enfrentadas pelo USDA concentrou-se no Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas, cujos relatórios, acompanhados de perto, podem movimentar os mercados de commodities, afetar os preços que os produtores agrícolas recebem por suas colheitas e influenciar os programas agrícolas federais.
Após a divulgação das estimativas finais de janeiro, os preços dos grãos — já baixos — caíram mais de 5%, em um momento em que os produtores enfrentavam dificuldades para obter lucro.
A viagem de Rollins a Iowa nesta semana ocorre logo após o grupo apartidário de análise eleitoral Cook Political Report ter alterado a recomendação da disputa pelo Senado dos EUA em Iowa de “tendência republicana” para “empate técnico” nesse estado dominado pela agricultura, onde os agricultores têm enfrentado dificuldades com tarifas e com o aumento dos custos do diesel e dos fertilizantes na esteira do conflito entre os EUA, Israel e o Irã. A disputa é amplamente vista como acirrada.
Os democratas, ansiosos por conquistar o controle do Senado dos EUA neste outono, precisam manter todas as suas cadeiras atuais e conquistar mais quatro, sendo que algumas dessas vitórias devem ocorrer em Estados há muito considerados redutos republicanos, como Iowa.
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